A disputa pelo Palácio do Planalto continua polarizada na última semana de campanha, aponta pesquisa REUTERS/Ueslei Marcelino

Existem ainda dúvidas quanto à velocidade do processo, já mais lento que o desejável, mas para a maioria dos analistas políticos a proposta de reforma da Previdência, que o Executivo apresenta como pilar do processo de reequilíbrio fiscal e de retomada do crescimento econômico, será afinal aprovada. São poucos, porém, os que acreditam, dentro do Congresso Nacional inclusive, que todas as demandas do governo serão atendidas, preferindo acreditar que a economia esperada ficará entre 80% e 85% do trilhão de reais sonhado pelo ministro Paulo Guedes. Será o começo, de qualquer forma, mas não o fim de todos os males, conforme alguns procuram fazer acreditar. Na realidade será apenas o começo, sinal de partida para outras mudanças, como a do sistema tributário, e uma drástica redução do peso do Estado, com mais disciplina e qualidade nos seus gastos.

A administração federal, que parece ter preferência por consumir seu tempo e suas energias com questões menos relevantes, precisa, passado mais de quatro meses desde a posse, se dar conta de a realidade e, de fato, focar no projeto de recuperação da economia. Com disciplina e simplicidade, já que os recursos são sabidamente escassos. Seria esse o sentido, por exemplo, da reforma tributária. Face às circunstâncias, ninguém com juízo pode imaginar que a carga, que, realisticamente, já encostou no equivalente a 40% do Produto Interno Bruto, possa ser reduzida no curto prazo. Mas nada, absolutamente nada, impede que a burocracia seja reduzida, que as tais “obrigações acessórias” tenham fim e que muita coisa mais seja feita para aliviar o empresário, o cidadão, e ao mesmo tempo tornar o Estado mais leve e mais amigável. Quem conhece e, pior, é obrigado a conviver com o cipoal burocrático que tomou conta da administração pública em todos os seus níveis, saberá avaliar a revolução que é possível fazer, em pouco tempo, desde que haja compreensão com relação ao problema e disposição de enfrentá-lo.

Em Minas, a disposição do governador Romeu Zema de seguir este caminho, aliás promessa de campanha, parece mais concreta e já próxima de produzir resultados. Aqui a ideia é tornar mais simples e mais amigável as relações com empresários e com cidadãos de forma mais ampla e um conjunto de mais de cem medidas voltadas para este objetivo estaria em processo de gestão. Simplicidade é a palavra-chave, sinônimo sobretudo de menos burocracia e mais agilidade, o que também implica em custos que não faz o menor sentido manter. Tomando esse rumo, não temos dúvida, em Minas e no Brasil inteiro os resultados serão mais rápidos e com eles as transformações tão reclamadas e tão necessárias.