Apesar de algumas indefinições cruciais que permanecem, empresários e estudiosos acreditam que a economia do País entrou em rota de recuperação, não sendo exagerada a previsão de que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) poderá chegar este ano aos 3%. Ou até mais, dizem os otimistas, sustentando seu sentimento com a crença de que algumas das reformas, em especial a previdenciária, poderão ganhar corpo mais rapidamente do que se imagina, favorecendo a recuperação fiscal e a retomada da confiança dos investidores. Com relação a Minas Gerais, especificamente, as avaliações são menos positivas, embora no final do ano os principais indicadores regionais fossem melhores que os nacionais.

O nome do problema chama-se mineração ou, mais especificamente, os horizontes da atividade, em especial da Vale, que está bem perto de monopolizar o setor no Estado, depois do rompimento da barragem de rejeitos na mina do Feijão, em Brumadinho. A rigor a Vale, principal responsável pelas receitas de exportação do Estado, paralisou suas atividades, pressionada pelos riscos e pela opinião pública. Em função dessa situação, está acontecendo uma espécie de reação em cadeia que acaba por afetar todo o setor. Com os cofres vazios e altamente endividado, o Estado não tem como reagir para enfrentar o risco, já apontado pela Federação das Indústrias, de que muito provavelmente será preciso rever as previsões de expansão da economia regional este ano, reduzida, segundo as contas da entidade, de 3,3% para 1,7%.

Não se trata de desculpar a Vale, na hipótese de que se confirme sua efetiva responsabilidade, por omissão, no caso de Brumadinho ou pelos riscos implícitos em muito de suas operações em Minas Gerais, por coincidência seu berço e terreno sobre o qual construiu sua prosperidade. Trata-se de entender que a empresa não pode nos deixar como herança apenas cavas e barragens abandonadas, enquanto o eixo de suas operações muito convenientemente se desloca para o Pará. Cabe anotar: no ano passado a produção de minério de ferro no Pará cresceu 14% na comparação com 2017, enquanto no Sudeste houve queda em torno dos 5%. Para a empresa, as pressões que está sofrendo podem até ser convenientes, justificando o virtual encerramento de suas atividades em Minas Gerais, o que parece bem próximo de acontecer.

Esta é a questão, este é o tamanho do problema que reclama, conforme assinala o presidente da Federação das Indústrias, Flávio Roscoe, máxima atenção. Ou, em termos objetivos, menos emoção e mais razão, antes que o passivo seja ainda maior.