O presidente Jair Bolsonaro já mandou dizer que está disposto a fazer a sua parte para que Minas Gerais consiga reequilibrar as suas contas o mais rapidamente possível, mas adiantou que condiciona qualquer ajuda à certeza de que o Estado “fará a sua parte”. Falta entender o que significa exatamente esta advertência. Está claro, claríssimo, que é preciso apertar os cintos ou até ir mais longe, acabando com a gastança que não tem como ser sustentada, principalmente quando se considera que 80% das receitas estaduais são consumidas com o pagamento de ativos e inativos.

Disciplina, muita disciplina, é fundamental, austeridade idem, prevalecendo o conceito de simplicidade que o governador Zema tem prometido. E para ele, a esperança mais imediata, dizem alguns de seus interlocutores mais próximos, é justamente a possibilidade de renegociação da dívida com a União, tarefa confiada ao secretário de Governo, Custódio Matos. Na estratégia do novo governador, um acordo representaria alívio – hoje, por conta da dívida, o Estado paga à União R$ 5 bilhões por ano – e tempo para a implementação de medidas de ajuste, num horizonte de dois anos para que o ponto de equilíbrio seja alcançado.

Quanto ao “dever de casa” que está sendo cobrado, aparecem itens como o aumento da contribuição previdenciária do funcionalismo, congelamento de salários e venda de ativos. Com a corda no pescoço, é bem possível que o Palácio da Liberdade não tenha fôlego nem tempo para discutir, mas ainda assim é fundamental que chegue a Brasília consciente de seu peso político e disposto a resgatar algum protagonismo. Para indagar, por exemplo, a exata natureza do que lhe está sendo cobrado, numa revisão dessas contas e, principalmente, dos encargos. Segundo, não deixar de levar à mesa das negociações a questão da Lei Kandir, que em bom português significa que um eventual encontro de contas resultará num saldo favorável a Minas Gerais.

Por mais que Brasília, nas gestões anteriores, tenha tentado varrer o assunto para debaixo do tapete, Minas Gerais, por maiores que sejam suas urgências, não pode aceitar e nem entrar nesse jogo, intimidado pela arrogância ou – até aqui – paralisado pela apatia de sua bancada federal. A questão, por óbvio, é crucial e determinante e bem poderia ser tratada no contexto da já prometida repactuação da distribuição de receitas e atribuições entre União, estados e municípios, reduzindo o centralismo que em nenhum sentido produziu bons resultados. Eis aí o bom alicerce para uma construção sólida.