O governador eleito Romeu Zema tem plena consciência de que assumirá encontrando as finanças do Estado em situação de desequilíbrio e sustenta que na sua experiência no setor privado encontra os elementos que possibilitarão a reversão desse quadro, num prazo que ele estima poderá ser inferior a dois anos. Em recente encontro com empresários, depois de discorrer sobre a situação e lembrar que apenas a Previdência estadual gera um déficit anual de R$ 1,5 bilhão, acrescentou que o problema, que se repete nas contas da União, é o resultado previsível da imprevidência. Gasta-se muito e gasta-se mal e, pior, os ingressos são sempre maiores que as saídas.

O que se enxerga é o que poderia ser esperado, face às condições predominantes, onde ainda prevalece a ideia equivocada de que o setor publico deve prover a tudo. Ainda assim o futuro governador diz perceber mudanças que, para ele, ficaram evidentes a partir dos resultados das últimas eleições. Assim, e de imediato, sua promessa é de dar racionalidade aos gastos na esfera estadual, impondo inclusive novos padrões de comportamento, dando exemplo ao mandar suspender seu próprio pagamento e o de secretários enquanto a situação do funcionalismo não for regularizada e deixando de utilizar a residência oficial do governador, o Palácio das Mangabeiras.

Cortar o que puder ser cortado, e não há de ser pouca coisa se for vencida a barreira dos interesses corporativos e políticos, será o ponto de partida para um novo modelo de gestão. Numa outra ofensiva, assunto que já está na sua pauta de trabalho, serão feitas gestões imediatamente na esfera federal, visando renegociar a dívida do Estado. Ao mesmo tempo e paralelamente a equipe de governo estará atuando no sentido de destravar e simplificar a gestão tributária, os controles ambientais e a própria burocracia que, somados, onera e intimida investidores. A ambição, num trabalho em que o vice-governador Paulo Brant terá papel muito além do protocolar, é transformar Minas no melhor Estado para se investir no Brasil.

Será o caminho contrário ao trilhado nos últimos anos, de claro esvaziamento da economia regional, em que não foram poucas as indústrias que cruzaram as divisas de São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás para escaparem dos rigores tributários, ICMS principalmente, estaduais.

Tudo isso, promete Romeu Zema, novato na política, para aumentar receitas, gerar empregos e fazer crescer a renda. Um quase milagre que o futuro governador diz ser possível realizar a partir de uma gestão baseada mais em critérios técnicos que políticos. Esse caminho é viável e vamos provar isso, afirmando que nossos problemas são muito mais de gestão que de falta de recursos. Se ele acertar, todos ganhamos.