Créditos: Kevin Lamarque - Reuters

Os interesses globais giram hoje em torno da economia e, nesse campo, principalmente das garantias do suprimento de energia, alimentos e matérias-primas.

São os elementos que movem o planeta e condicionam as relações entre países, onde hoje os canhões parecem menos importantes que os bancos. É nesse contexto que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro visitou esta semana os Estados Unidos, para encontro inclusive com seu colega Donald Trump.

Encontro obrigatório e fundamental, tendo em conta a importância do país, seu poderio militar e sua condição de segundo parceiro comercial do Brasil.

Um encontro difícil, face às características do anfitrião e seu comportamento errático, sendo bastante lembrar seu slogan de campanha, o America First, que não deixa espaço para dúvidas quanto à sua visão do mundo e do lugar que ele próprio reserva a seu país.

Parcerias e colaboração, nessas condições, passam a ser conceitos bastante relativos, mesmo com as trocas de gentilezas entre os dois presidentes.

Para aplainar estas arestas, por mais difícil que possa ser, nas circunstâncias, a tarefa, existe a diplomacia e nesse campo, apesar de alguns deslizes mais recentes, o Brasil tem tradições reconhecidas.

O fundamental é e continuará sendo o não alinhamento, mesmo que pareça existir, em alguns círculos em Brasília, certo deslumbramento com os vizinhos do Norte e certa dose de inocência com relação às possibilidades de uma cooperação real e equilibrada.

Uma hipótese talvez ideal, fortalecendo as três Américas, tirando partido da proximidade e em contraponto à Europa e ao Oriente, polos de uma nova ordem global em que a China, que já é o maior parceiro comercial do Brasil, caminha para uma posição de liderança.

Saber avaliar possibilidades, saber se movimentar com independência, parece ser, para o Brasil, a chave de uma política externa bem-sucedida, principalmente no que toca à sua vertente comercial.

E quem sabe começando pela sugestão do próprio Tump, repetindo o conceito do America First no que toca às nossas próprias escolhas, sem concessões que traduzam subserviência e sem exigências que possam ser interpretadas como hostilidade, seja em Washington, seja em Pequim, que por sinal o presidente Bolsonaro deverá visitar na segunda metade do ano.

O importante será deixar suficientemente claro que o Brasil busca negócios e investimentos, com os condicionantes que são conhecidos, sem viés ideológico, sem alinhamento automático.

Afinal, somos hoje no mundo um player importante, seja como fornecedor de alimentos, seja de commodities minerais, oferecendo em contrapartida um mercado de enorme potencial, além de estabilidade política.

São condições singulares e bastante atraentes, mesmo que presentemente os sinais sejam negativos.