No geral, as pesquisas de opinião cometeram, com relação à votação do último domingo, erros grotescos. Alguns bem próximos, como o primeiro lugar de Romeu Zema na candidatura ao governo do Estado, e a derrota de Dilma Rousseff, dada como dona da primeira vaga para o Senado e que acabou derrotada. Erraram feio também na avaliação de que a renovação no Legislativo seria a mais baixa dos últimos anos. Aconteceu o contrário, com a taxa de renovação passando dos 40% e alguns dos mais conhecidos caciques da política brasileira perdendo suas cadeiras.

O quadro que se desenha parece indicar que os eleitores brasileiros foram coerentes, na hora de votar, com sua saturação com relação à velha política ou aos velhos políticos. O desejo de mudanças, de ruptura, ficou confirmado e estudiosos já cuidam de tentar interpretar o significado prático de tudo que aconteceu e dos desdobramentos até que se complete, no final do mês, o processo eleitoral. Trata-se, em resumo, de tentar avaliar a qualidade da composição do novo Legislativo, nos planos federal e estadual, e sua efetiva capacidade de influir nos rumos da gestão pública. A questão crucial, conforme apontado em inúmeras ocasiões neste mesmo espaço.

O que se pode dizer, por enquanto, é que, também ao contrário do esperado, aumentou a fragmentação política, com um novo balanço de forças. O tempo dirá se isso é bom ou ruim, se favorecerá ou dificultará a governabilidade, independentemente de quem, afinal, seja escolhido para ocupar a cadeira presidencial, novo dono do desafio monumental de reorientar e reequilibrar as contas públicas. Do sucesso desse primeiro esforço, que significa levar a cabo o ajuste fiscal, dependerá todo o resto. E a rigor, até agora ninguém disse o que pretende fazer e como pretende fazer, inclusive para quebrar a cadeia de interesses corporativos que levou o Estado brasileiro à beira do precipício em que se encontra.

Cabe esperar que nas próximas semanas os dois candidatos que chegaram ao segundo turno tenham tempo e disposição para dizer com mais clareza o que e como pretendem fazer para recolocar a economia do País no rumo do equilíbrio e com possibilidades reais de alcançar níveis de crescimento que levem, o mais rapidamente possível, à recomposição da renda, trabalho, consumo e produção. Uma virada urgente porque oferece como alternativa o colapso.

Também um esforço gigantesco e cujas chances de sucesso estão vinculadas justamente à possibilidade de mútua colaboração entre Executivo e Legislativo, ao que se espera livre dos vícios que tantos males causaram.