Na segunda metade dos anos 40, ao final da Segunda Grande Guerra, os brasileiros enxergavam pela frente um ciclo de prosperidade. Nesse contexto, entendiam ser necessário – e urgente – a capacitação de mão de obra de nível médio, tarefa que as próprias empresas, inicialmente nos setores industrial e comercial, se propuseram cumprir. Nascia o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), ambos integralmente financiados pela iniciativa privada e sem recursos públicos. Por razões práticas, uma vez que não havia estrutura privada capaz de suportar o encargo, ficou acertado que as contribuições seriam recolhidas através do Instituto de

Aposentadoria e Pensão dos Comerciários, o antigo IAPC.
Foi assim que começou a ser construída uma história de sucesso, hoje assim amplamente reconhecida, embora seja também motivo de muita controvérsia. Com o correr dos anos o sistema cresceu e aumentou seu campo de atuação, sendo reconhecido hoje como um dos maiores e mais eficientes no mundo em seu campo de atuação, inclusive servindo de modelo para diversos países. Contam-se aos milhões os alunos que passaram pelos bancos de suas escolas, algumas delas classificadas entre as melhores do País, mesmo na comparação com estabelecimentos privados e premiadas até internacionalmente.

Seu financiamento – hoje mais conhecido como Sistema S – é custeado diretamente por empresas privadas, que recolhem entre 0,2% e 2,5% sobre suas respectivas folhas de pagamento. Apesar do sucesso reconhecido e aplaudido, não falta quem lhe atire pedras, na enganosa ideia de que se trata de dinheiro público, retirado dos bolsos dos contribuintes. Falar mal do Sistema S parece fazer parte de um roteiro antigo, que agora se repete nas promessas do ministro da Economia de “meter-lhe a faca” para reduzir as contribuições, que em parte já são voluntárias, pelo menos em 30%.

O argumento é desonerar a folha salarial e assim criar condições para maior e mais rápida geração de empregos. Parece fazer sentido, mas não é levado em conta que cada vez mais empregos dependem de qualificação técnica de qualidade, exatamente o que o sistema oferece. Com toda certeza é possível fazer mais e fazer melhor, com menores custos e, como regra, os dirigentes do Sistema S têm consciência disso. O que não faz o menor sentido é inviabilizar, ou até matar, uma experiência que deu muito certo, que disponibiliza mão de obra de qualidade e muito contribui para a inovação de que o País ainda é tão carente.

É portanto altamente recomendável pensar melhor a respeito, antes que uma decisão impensada, ou demagógica, ponha a perder um caso de reconhecido sucesso.