A situação financeira de Minas Gerais é de calamidade, tecnicamente, de insolvência, conforme já foi apontado em mais de uma ocasião.

Situação, em tese, bem conhecida, herança de maus hábitos cultivados ao longo do tempo, produzindo, entre outros exemplos que poderiam ser apontados, gastos de 80% do orçamento com funcionários ativos e inativos.

Mudar e, finalmente, construir uma rota de recuperação, significa em primeiro lugar união, com todas as forças somadas em torno do objetivo comum, direção que aponta o bom senso, mas, infelizmente, parece muito distante da realidade.

É o que sugere o movimento que começa a se esboçar, tendo como objetivo o impeachment do governador Romeu Zema e como pretexto o fato de que os repasses devidos aos municípios não estão sendo feitos nos prazos que a lei estabelece.

Além dos prefeitos que embarcam nessa tese, como se a pressão pudesse produzir o milagre da multiplicação de recursos, o funcionalismo, igualmente vítima da situação, cogita da mesma tática.

Um evidente jogo de pressão e ameaças, quase um teatro capaz de produzir, no máximo, descrédito. Quem reclama e cobra tem toda razão, mas não há como perder de vista que pagar ou não pagar, não está no âmbito da vontade pessoal do governador.

O que se passa é o reflexo, absolutamente previsível, de excessos que foram se acumulando até um ponto insustentável. As forças políticas, ou parte delas, no entanto, preferem continuar ignorando o mais elementar, se dividem, ou não se entendem, na ilusão de uma esperteza que é justamente o contrário.

Prefeitos querem e precisam receber o que lhes são devidos, funcionários amargam uma situação com a qual não tem como conviver. Mas será que alguém, com razão e objetividade, acredita mesmo que jogar o governador pela janela resolveria seus problemas? Mas como, se não é possível nem mesmo fingir que a culpa é dele?

Criar dificuldades na esfera política e, pior, sem nenhuma discussão ou contribuição objetiva para conhecimento preciso do tamanho do problema, suas causas e a maneira de enfrentá-lo, definitivamente não ajuda, não leva a nada e pode atrapalhar muito.

Menos política e mais trabalho seria a primeira das recomendações a quem finge acreditar que soluções brotariam no grito, na pressão, não fazendo mais que repetir táticas velhas e totalmente desacreditadas em que só parece haver lugar para ambição.

Nesse rumo, é evidente, só se pode esperar mais dificuldades à frente, seja para o enfrentamento das questões que dizem respeito ao orçamento público e seu reequilíbrio, seja para que surjam espaços para a discussão e implementação de medidas capazes de devolver a Minas Gerais, no plano da economia e dos negócios, o protagonismo perdido, fazendo do Estado, como imagina o governador Zema, ponto de atração para investimentos.