DEER/mg

Faz pouco mais de um ano algum burocrata em Brasília, para entusiasmo de seus superiores, teve mais uma daquelas ideias geniais, na sua perspectiva claro, para servir – melhor – ao público. Estamos falando da cobrança pelas bagagens de usuários das linhas de transporte aéreo regular, serviço até então incorporado às tarifas regulares pagas pelo passageiro.

Com a mudança, foi dito e prometido, os custos das companhias aéreas seriam evidentemente aliviados, benefício que seria transferido aos passageiros. Houve reação e alguns protestos, adiando a implantação da medida, que afinal entrou em vigor, ao mesmo tempo em que foram impostas novas limitações ao tamanho e peso das bagagens de mão, aquelas que os passageiros levam consigo ao embarcar.

Agora, aparentemente acalmados, os passageiros que já se acostumaram, ou se conformaram, com o pagamento extra e nada usual no resto do mundo, estão sendo cobrados mais duramente justamente pela bagagem de mão. E tudo isso sem qualquer tipo de satisfação, esquecidas e deixadas de lado as promessas de que o benefício maior seria para o consumidor.

Na realidade, tudo se resume numa quase excrescência, uma vez que só se pode imaginar que a bagagem é parte inerente da passagem adquirida. E tudo isso, para completar, como se necessário fosse, com autoridades e agências reguladoras fazendo de conta que nada aconteceu, mesmo com a prometida redução de tarifas transformada em majorações que na média chegaram aos 35%, para inflação média que no mesmo período não chegou aos 5%.

Apesar das reações havidas no início da semana, porque a fiscalização sobre tamanho e peso da bagagem de mão foi intensificada em mais alguns importantes aeroportos, o que na realidade se percebe, da parte do público, é acomodação e conformismo. Ninguém parece ter memória, ninguém parece se lembrar do que foi prometido e, menos ainda, de direitos a questionar e cobrar.

Essa apatia certamente ajuda a explicar o porquê de tantos e tão frequentes abusos, prevalecendo a ideia de que os cidadãos existem para servir ao Estado e não o contrário. Essa a base real para tantos e tão frequentes abusos, que ganham espaços nas manchetes, alimentam promessas de políticos, mas, absolutamente, não alteram o mundo real. Que o digam os passageiros que nesse momento estão nas filas de embarque de algum aeroporto no País.

Para concluir, falta entender que o que se paga por uma mala maior ou menor importa menos, muito menos, que a indiferença e até a hostilidade reservada a contribuintes e consumidores, cidadãos que parecem ter sido apagados por aqueles que sequestraram o Estado brasileiro.