CRÉDITO: ALISSON J. SILVA/Arquivo dc

Em recentes declarações, o governador Romeu Zema disse não imaginar, antes de chegar ao Palácio da Liberdade, que os problemas a enfrentar seriam tão grandes, numa referência ao desequilíbrio das contas públicas e ao desempenho da economia, agravados com o colapso de uma das barragens da Vale em Brumadinho, fato que praticamente paralisou a empresa no Estado. Zema, que até então administrava uma bem-sucedida empresa privada, de fato tem razões de sobra para estranhar o que se passa à sua volta, além das duras negociações em andamento com a administração federal, cujo eventual auxílio na prática custará uma virtual intervenção no Estado. Nesse clima, que evidentemente contamina parte dos empresários, o ambiente de negócios e eventuais investidores, também esconde uma realidade que parece não estar sendo percebida.

A situação das finanças do Estado é realmente crítica, questão que, a propósito, além de resolvida precisa ser posta em pratos limpos, cobradas as responsabilidades e aprendida a lição. Um exercício tão fundamental quanto à percepção de que, apesar das dificuldades que de fato não são poucas, Minas Gerais não está paralisada e seus empresários e investidores em debandada. Quem acompanha este jornal sabe disso, acompanha também o registro de movimentos que são positivos e, devemos acreditar, produzirão bons frutos. Podemos apontar os investimentos recém- anunciados pela FCA, antiga Fiat, para a construção de uma nova fábrica em Betim; os planos da Usiminas para ampliar a produção em Ipatinga ou a construção, já confirmada, na região de Araguari, no Triângulo, da maior fábrica de celulose solúvel do mundo, com investimento na casa do bilhão de dólares. E estamos falando apenas de anúncios recentes, registrados nas páginas do DIÁRIO DO COMÉRCIO, e sem deixar de registrar também o clima de otimismo que tomou conta dos empresários da região de Curvelo, fenômeno que se repete em Betim, onde se espera que o Distrito Industrial Bandeirinhas deverá atrair pelo menos 65 novos empreendimentos.

Não é nosso papel ou intenção esconder a realidade e as dificuldades na esfera da administração pública e da própria conjuntura. Ao contrário, e entendendo ser nossa obrigação, temos chamado atenção para o tamanho dos obstáculos a superar, porém sem perder de vista que é preciso perceber o todo, enxergar o outro lado da moeda. Estamos falando do espaço ocupado por aqueles que não medem as dificuldades, continuam acreditando e apostando no futuro. Como dissemos, são exemplos que, felizmente, podem ser encontrados cotidianamente nas páginas deste jornal, entre os quais os apontados acima.