Brasília parece perdida. O ministro da Economia, figura central do governo no que toca ao enfrentamento das graves questões de sua área, está sumido, não se manifesta. Mas é muito provável que esteja contrariado e, para os que o conhecem mais de perto, não seria surpresa se, mais rápido do que se possa imaginar, desembarque do governo. Na sensível área militar os incômodos são públicos, assim como a evidência de divergências significativas com o presidente da República, que, dizem, já teriam sido clara e objetivamente colocadas. Tudo isso significa frustração, passados pouco mais de dois meses da posse e já perto dos cem dias em que o novo governo deveria mostrar a que veio, coerente com resultados e suas promessas de campanha.

Nesse ambiente que, para os que não estão em Brasília, já parece ser de frustração, as preocupações se acumulam, fazendo lembrar a administração interina anterior. Foi vendida a ideia de que todos os males estavam encarnados no governo de então e removê-lo significaria alívio, com a possibilidade, quase certeza, de rápida recuperação da economia e, principalmente, dos empregos. Não aconteceu. O ex-presidente Temer tomou posse dizendo que sua maior aspiração seria entregar o governo com a retomada da oferta de empregos, o que significa dizer que ele também acreditava que, supostamente restaurada a confiança, os investidores voltariam e as rodas da economia voltariam a ganhar velocidade. Houve recuperação, mas pequena e insuficiente, frustradas todas as contas então apresentadas. As reformas não avançaram, o ajuste fiscal não aconteceu, sob a alegação de que faltavam condições políticas, o que não aconteceria no novo governo.

A proa não parece estar assentada na direção do vento. O crescimento esperado para o ano, em torno de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB), já está reduzido à metade para este ano e a reforma da Previdência, uma espécie de sinal de que a economia tem como entrar nos eixos, corre o risco de ser desidratada no Congresso, onde as corporações que detêm os privilégios que se transformam em déficit crescente, não tiveram seu poder abalado. O cronograma de avanços, na realidade de medidas corretivas emergenciais, parece colocado em stand by. Enquanto isso, diante de tantos problemas, o Planalto parece enxergar um outro mundo – como o do Carnaval -, achando que falar o que convertidos querem ouvir, pode ser uma estratégia conveniente. Certamente que não, principalmente porque no mundo real os problemas se acumulam, ficam mais difíceis e parecem próximos de um limite que não há como ultrapassar.