Crédito: Previdência Social - Agência

Na semana passada, depois de mais uma rodada de conversações, explicações e negociações com a Câmara dos Deputados, o ministro Paulo Guedes, visivelmente mais tarimbado nesses embates, não parecia otimista com relação ao encaminhamento de sua principal pauta, a reforma do sistema previdenciário. E afirmava, bem ao seu estilo, que a economia brasileira está “no fundo do poço”, antecipando resultado da Pesquisa Focus, do Banco Central, anunciada na segunda-feira. Mais uma vez as previsões de crescimento do Produto Interno Bruto foram revisadas para menos e o crescimento esperado para o ano está agora na casa dos 1,21%.

No ano passado, com a mudança de governo e as expectativas geradas, imaginava-se para 2019 crescimento de pelo menos 2% e os mais otimistas chegaram a cravar nos 3%, apostando num ciclo de recuperação que seria acelerado em 2020.

Para chegar a este ponto imaginava-se, principalmente, que o novo governo e o novo Congresso seriam mais ágeis no ajuste fiscal, cujo eixo, conforme largamente anunciado, seria justamente a reforma do sistema previdenciário, que acumula um déficit que não poderá ser sustentado por muito tempo mais.

As coisas definitivamente não correram como esperado e desejado, com o governo demonstrando inabilidade nas negociações e falta de articulação com o Congresso, apesar de renovado quase que pela metade, prosseguindo apegado aos mesmos e velhos hábitos. Resultado, o presidente Bolsonaro consumiu os 100 primeiros dias de seu governo sem produzir resultados e frustrando as expectativas.

De prático, isso significa, em primeiro lugar, que os investidores, estrangeiros e brasileiros, continuam em modo stand by, mantendo fechadas as gavetas em que estão os projetos capazes de injetar ânimo e dinheiro na economia. Se já não fosse o suficiente, neste ambiente frustraram-se as expectativas de arrecadação, o que significa que o caixa do governo está ainda mais vazio.

Para resumir, e nesse ponto concordam alguns observadores independentes e acreditados, distantes dos extremos que dividem a política, faltou coordenação e foco, com o novo governo surpreendentemente preferindo dar ênfase a uma pauta que nada diz às emergências que o País, que na opinião de seu ministro da Economia está “no fundo do poço”, tem diante de si.

Assim, a sensação de que estamos todos perdendo tempo parece a cada dia que passa mais clara, até na ilusão de que a reforma da Previdência seja, de fato, a resposta para todos os males. Não quando se sabe que o setor público gasta muito e gasta mal, o que se aplica aos Três Poderes, e sem que até agora tenha dado sinais mais consistentes de disposição para mudar, incapazes de perceber que estamos todos no mesmo barco e podemos ir a pique.