Não seria nada razoável esperar, a estas alturas, que os planos de governo para o próximo quadriênio estivessem prontos e acabados. Por enquanto, com o ritual da transição sendo apenas iniciado e resumido à troca de informações, continuamos na expectativa das intenções de um governo que promete austeridade e garante ser capaz de escapar das injunções políticas que emperram e oneram a gestão. E parece ser o suficiente para provocar, nos meios econômicos, alguma animação. O ano de 2019 ainda não será bom, mas com toda certeza será melhor que 2018, resume um empresário conhecido, expressando sentimento que parece ser comum à maioria.

A nova equipe econômica a estas alturas, mesmo que não tenha os números exatos, sabe o que a aguarda. O desequilíbrio fiscal, que o atual governo chegou a prometer dar cabo, persiste, assim como persistem ameaças de que a progressão das despesas continuará correndo à frente das receitas, situação bem ilustrada pelo recente reajuste para os proventos da magistratura, que, caso não seja contido por um inesperado veto do presidente Temer, terá um impacto, já no próximo ano, estimado em R$ 6 bilhões, considerada a reação em cadeia que será provocada.

Nessas circunstâncias, o que se pode esperar e desejar é que o futuro governo tenha a sabedoria de optar pela simplicidade, exatamente como tem sugerido o governador eleito Romeu Zema a nível estadual. O Estado brasileiro se tornou grande, gordo, pesado e pouco eficiente, o que também significa que existem gorduras a eliminar. Afinal, como disse o futuro governador mineiro, tudo leva a crer que o carrapato ficou maior que o boi, imagem tão simples quanto elucidativa, além de uma pista a ser considerada.

Fala-se muito, por exemplo, em cortar ministérios, no plano federal, e secretarias, na órbita estadual. Faz sentido, mas é preciso dizer que esta manobra não pode ser apenas de acomodação, sem traduzir efetiva redução nas despesas de custeio, provavelmente a principal fonte de alimento para o carrapato mencionado por Zema. Nada que seja apenas para inglês ver, como tantas vezes já nos aconteceu. Fala-se também, e repetitivamente, em reformas, começando pela da Previdência, que se pretende inclusive antecipar, até porque tanto no plano federal quanto no estadual seria a principal fonte de desequilíbrio.

Também neste caso já há quem diga que será preciso esperar, protelando com a desculpa de que novos estudos serão feitos. Quem pensa assim parece que ainda não entendeu a exata dimensão do problema a ser enfrentado. Na realidade, quem conhece mais de perto as contas públicas diz simplesmente que não dá mais para esperar.