Créditos: Gil Leonardi/Agência Minas

O cenário de Ouro Preto e a data, 21 de abril, parecem ter inspirado o governador Romeu Zena, que aproveitou a tradicional solenidade de entrega da Medalha da Inconfidência para propor um pacto entre Executivo, Legislativo e Judiciário, indutor de uma mobilização capaz de criar o ambiente necessário à superação da crise que o Estado enfrenta. Trata-se, segundo governador, também de resgatar valores tão caros a Minas Gerais, pensando em todos os mineiros e não nos poderosos.

A fala do governador, em que ele pediu também um esforço comum para que o Estado recupere sua capacidade de ofertar serviços de saúde e educação de qualidade, além de segurança e transporte público de qualidade, foi tomada como reiteração de sua política de austeridade e um apelo para adesão mais ampla a seu propósito. Para ele, não há alternativa, pois nos encontramos em um buraco profundo e um Estado nessas condições, sem dinheiro, está condenado a permanecer inoperante.

O 21 de abril e, por consequência, os inconfidentes e a figura central de Tiradentes, deve significar bem mais que o registro protocolar e festivo de uma passagem da história, aquele em que, pela primeira vez, os brasileiros se colocaram contra os colonizadores lusitanos, reclamando a independência.

O movimento, que buscou inspiração na revolução francesa e na independência dos Estados Unidos, não prosperou, mas deixou marcas que precisam ser revisitadas. Os inconfidentes não falavam apenas em autonomia política, em romper os laços com Portugal. Tinham uma visão da economia e, com o esgotamento do ciclo do ouro, que fizera a opulência de Ouro Preto e no seu apogeu chegou a ser a maior e mais populosa cidade brasileira e das três américas, falavam também da recuperação da economia, da exploração racional das riquezas minerais da então província, tendo como objetivo final a industrialização.

Espanta até que ponto eram contemporâneos de um futuro que ainda incomoda, como deixou bem claro o governador. Minas Gerais precisa recuperar o equilíbrio de suas contas, precisa se unir em torno dessa ideia a partir da esfera pública e deve entender esse movimento como um passo além.

Trata-se de recuperar o seu protagonismo, num esforço que só fará sentido e, sobretudo, produzirá resultados a partir de um movimento mais amplo, em que também o setor privado, empresários e as entidades que os representam, tenham espaço e voz. Da esfera pública espera-se austeridade e capacidade de gestão; do setor privado, capacidade de aproveitar esse impulso para devolver a Minas Gerais o seu lugar e seu protagonismo. Ou realizar finalmente o sonho adormecido dos inconfidentes.