Atualmente, a belo-horizontina eMotion Studios conta com cerca de 120 funcionários - Filipe Rhodes/Divulgação

Enquanto incubadoras de startups oferecem o espaço físico para o desenvolvimento de projetos e aceleradoras fornecem mentoria para a criação de negócios, um Startup Studio se propõe a criar e validar ideias, formar a startup com equipe específica para determinado projeto e atrair investidores. A eMotion Studios, criada em Belo Horizonte, transformou o seu modelo de negócios para atuar nesta área no início deste ano e, desde então, registrou um crescimento de 60% em finanças e equipe.

A diretora de Produtos e Marketing do estúdio, Poliana Godinho Pires, explica como se deu a mudança. “Este modelo de estúdio cria startups repetidamente e em paralelo. A nossa empresa nasceu primeiro como Emotion Digital, em 2009, para atender o mercado de serviços de valores agregados de operadoras de telemarketing. A partir daí, chegamos a um histórico de criação de 10 empresas, o que foi importante para nos posicionarmos como Startup Studio”.

Segundo ela, a partir do ano passado a empresa se atentou ao movimento crescente do mercado de startups. Há startups que chegam a valer mais de US$ 1 bilhão antes mesmo de abrir o seu capital, as chamadas empresas unicórnios. Por outro lado, muitas morrem ainda jovens.

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“E a gente começou a entender que essas mortes acontecem por diversos motivos, principalmente pelo fato de a startup não atender a um problema do mercado. Mas também por não terem um time adequado para desenvolver o projeto ou não ter dinheiro. E, hoje, o ecossistema de inovação está sendo muito trabalhado em torno de aceleradoras, incubadoras, labs, o que não necessariamente resolve os motivos de falhas de uma startup”, avalia.

A ideia é simples. Encontrar as falhas antes mesmo de validar o produto e só passar a investir depois de validado. Funciona assim: o estúdio tem uma equipe de desenvolvimento de ideias com potenciais de se tornarem startups, ou recebem ideias levadas por empreendedores e criadores, que passam por alguns crivos a fim de verificar a sua potencialidade.

A partir daí, a ideia passa pelos testes de validação. “Primeiro a nossa equipe vai para a rua conversar com o usuário, saber se a ideia é válida e quem é o cliente desta ideia, já com o design de serviço para focar na experiência do usuário. Depois disso, conhecendo o cliente e a solução que ele precisa, nós desenhamos e construímos o modelo de negócios para partir para a etapa seguinte: as primeiras vendas. E aí que vemos se as pessoas realmente querem usar aquele produto e pagar por ele”, relata Poliana Pires.

Devidamente garantido o potencial do produto, o estúdio reúne a equipe para a formação daquela startup, contratando profissionais qualificados para o que o produto precisa e a produção em escala.

O espaço conta ainda com um centro de recursos compartilhados que oferece serviços jurídicos, financeiros, contábeis, DP e RH para as startups. “A empresa se sente segura aqui dentro”, salienta. Há também uma equipe de relacionamento com investidores, visando captar o investidor certo para cada tipo de negócio. Com produtos e ideias já validadas e testadas, é mais fácil captar estes investimentos que, consequentemente, apresentam menos risco.

“Trabalhamos diretamente nos problemas das startups, o que aumenta a possibilidade delas terem uma boa condição financeira. Isso é um atrativo para os investidores. A dificuldade agora é educar o mercado e mostrar que um Startup Studio é o caminho”, completa.

As receitas geradas pelas startups do estúdio mantém o negócio. “No nosso modelo de negócio, nós entramos como cofundadores das startups. Parte deste dinheiro gerado é investido na criação de novas startups”, explica.

Atualmente, o estúdio conta com cerca de 120 funcionários, sendo que 20 deles são exclusivos para a geração de ideias e projetos que podem vir a se tornar startups. Desde o início do ano, a empresa já criou e mantém sete startups, e outras cinco estão em teste. O estúdio tem também um braço no Rio de Janeiro e uma sede em São Paulo, o que abre a empresa para o mercado nacional e internacional.