No congresso do IBGC, realizado em São Paulo, empresas familiares são orientadas a definir regras em tempo de paz - Foto Alefotografo

Um respiro em meio a perspectivas pessimistas ou temerosas do empresariado a respeito dos anos vindouros, devido ao cenário econômico e político do País. Assim pode ser definido o 19º Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), realizado na segunda-feira e ontem, em São Paulo. Talvez o fôlego necessário para se implementar nas companhias e organizações as ideias inovadoras tão almejadas e necessárias para se estabilizar um negócio, no caso de empresas jovens como as startups, e para garantir longevidade a empresas tradicionais e com mais estrada, como os negócios familiares.

O evento contou com 18 sessões, 69 palestrantes e 700 participantes na plateia, que tiveram acesso ao debate que une as duas pontas de qualquer negócio e permeou o tema dessa edição: Ecossistema de Governança: Inovação e Legado.

Um dos assuntos que mais fazem sentido para o empresariado mineiro é o de empresas familiares, mais especificamente, da governança aplicada a esses negócios. Em Minas Gerais, um terço dos pequenos negócios são familiares, segundo mostrou a pesquisa “Empresas Familiares”, do Sebrae, sobre o tema, divulgada no ano passado. Além disso, no Brasil, as micro e pequenas empresas representam 99% dos negócios formais constituídos. São mais de 6,8 milhões de empresas nessa categoria, que, somadas aos microempreendedores individuais (MEIs), ultrapassam os 12,4 milhões de empreendimentos. Cerca de 16% desse contingente está em Minas.

O coordenador-geral do capítulo Minas Gerais do IBGC, Enio de Melo Coradi, aponta que a governança corporativa pode ser absorvida pelos negócios de família de forma a estabelecer regras que vão ajudar a “separar o CNPJ do CPF”.

“Há um equívoco quando se pensa que a governança serve somente para grandes empresas, porque ela se aplica em qualquer corporação, inclusive, nas familiares. A governança corporativa estabelece a criação de regras em tempos de paz, para que a empresa possa utilizá-las caso precise. Não adianta criar regras em tempos de guerra. Por exemplo, você paga o seu plano de saúde, mesmo não precisando dele naquele momento, para garantir o seu uso, caso precise”, explica.

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Metodologia – Além disso, uma metodologia de governança deve ser aplicada para os membros da família que fazem parte da empresa da mesma forma como é para os funcionários. “Não é a empresa que deve servir à família, é a família que deve servir à empresa”, lembra Coradi.

Casos de abuso de poder, uso do lucro da empresa em benefício próprio, brigas que começam em casa e continuam dentro da companhia, ou decisões importantes para a empresa tomadas em almoços familiares de domingo já foram e são temas de inúmeras novelas, séries e filmes. Mas, diferente da ficção, na vida real nem sempre histórias que tomam esse rumo e se tornam indissociáveis nos campos pessoal e profissional dão certo ou lucro.

“É difícil separar, porque há ainda o fator emocional. Por exemplo, ao falar de pai e mãe a gente acaba confundindo essas funções com personalidade. Porque o que os pais nos falam, para o bem ou para o mal, toma um sentido muito maior, por esse elemento emocional. É natural que tenhamos conflitos, mas eles são mais bem administrados quando se tem uma governança bem implementada. É o que traz perenidade ao negócio, estabilidade, tanto nas empresas familiares como em qualquer empresa que tem processos decisórios. São quatro os pilares da governança: transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade social corporativa”, elenca.

* A repórter viajou a convite do IBGC