Região que tem Juiz de Fora como uma das suas principais cidades, conta com um Produto Interno Bruto de R$ 41,7 bilhões e concentra cerca de 100 mil empresas registradas - Guilherme Bergamini/ALMG

Os empresários do comércio varejista da Zona da Mata conseguiram manter investimentos mesmo num cenário de crise. Dos estabelecimentos da região, 73,3% foram afetados pela recessão, mas apenas 2,4% fizeram cortes nos investimentos. O principal efeito sentido foi queda na receita de vendas, percebida por 90% dos comerciantes. Essas são algumas das conclusões do “Estudo sobre as regiões de Planejamento de Minas Gerais – Zona da Mata”, realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG).

Com 11,1% da população mineira e responsável por 8% do PIB do Estado, a Zona da Mata conta com 142 municípios. Entre as principais cidades estão Juiz de Fora, Ubá, Manhuaçu, Muriaé, Cataguases, Viçosa, Ponte Nova, Visconde do Rio Branco, Leopoldina e Santos Dumont.

De acordo com o estudo da Fecomércio MG, na Zona da Mata, a maior parte dos estabelecimentos comerciais – 23,4% – atua no setor de tecidos, vestuário e calçados. Em seguida estão os supermercados, com 22,9%. Os que trabalham com artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos correspondem a 20%. Aproximadamente 73% das empresas possuem até nove funcionários, se caracterizando como microempresas.

Dos setores que receberam investimentos dos comerciantes, o principal foi segurança, opção citada por 76,1% dos entrevistados. Na análise da Fecomércio, tal característica não é positiva e mostra que o interior do Estado – assim como a Capital e região metropolitana – vem enfrentando problemas de segurança pública. E, ao direcionar recursos para a segurança, os comerciantes deixam de investir em outras áreas que podem gerar maior competitividade, como qualificação e mix de produtos.

Também foram registrados investimentos em tecnologia da informação (69,8%); capacitação de funcionários (69,1%) e publicidade e propaganda (65,3%), entre outros.
Além disso, os empresários se mantiveram atentos a diferenciais competitivos, com 83% deles tendo implantado algum processo de inovação em seus negócios nos últimos 12 meses. Desse percentual, 70,8% lançaram produto novo ou com melhoria relevante; 48,1% introduziram alguma mudança na estrutura organizacional ou de marketing. Os 17% que não implantaram inovação apontaram os custos como empecilho.

Na opinião dos comerciantes ouvidos, as principais características que garantiram o sucesso do negócio foram variado mix de produtos (82,8%); estrutura da loja, vitrine (76,8%); crédito facilitado ao cliente (64,6%). Já o principal empecilho é a alta carga tributária, citada por 21,2% dos entrevistados.

Quanto ao comércio exterior, a participação dos empresários ainda é tímida. O estudo apontou que apenas 5% das empresas atuam nesse nicho, seja por importações e/ou exportações. Entre os motivos para não adesão a esse tipo de comércio estão o fato de a empresa ser pequena ou nova no mercado (32,68%) e falta de interesse (22,96%).

Perfil – O levantamento faz parte de série de estudos da Fecomércio MG que traçam o perfil econômico das empresas do setor varejista das dez regiões de planejamento do Estado. A Zona da Mata é a quinta área contemplada.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Zona da Mata apresentou, em 2015, PIB de mais de R$ 41,7 bilhões. Há predominância do setor de serviços, com 52,7% do total, seguido da indústria (19,2%) e agropecuária (5,8%).

Administração, saúde e educação públicas e seguridade social ficam com 22,3%.
Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), a região da Zona da Mata contava, em 2016, com mais de 100 mil estabelecimentos, sendo que 78% desses atuavam no setor de comércio e serviços.