O índice de endividamento, que mostra que as famílias contraíram dívida, mas têm condição de pagá-la, também mostrou avanço - Foto: Alisson J. Silva

O número de famílias que não conseguem pagar suas contas fechou o ano de 2018 em alta em Belo Horizonte. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada ontem pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), em dezembro do ano passado, o índice de inadimplência foi de 33,8%, mostrando avanço de 8,8 pontos percentuais frente a dezembro de 2017, quando o indicador era de 25%. Em relação a novembro, quando o índice foi de 33,2%, houve um pequeno avanço indicando estabilidade.

Analista de pesquisa da Fecomércio MG, Elisa Castro explica que a dificuldade em manter as contas em dia vem do alto índice de desemprego.

“O desemprego cai, mas em passos lentos, afetando a renda familiar, que já está degradada”, justifica. Além disso, segundo a analista, os consumidores brasileiros não têm hábito de planejamento, o que faz com que consumam mais do que têm condições de pagar.

Elisa Castro pondera que o ano de 2018 começou com uma expectativa positiva que não se concretizou, pois os avanços em índices econômicos não foram suficientes para a recuperação da renda familiar.
Já a estabilidade na passagem de novembro para dezembro decorre, segundo ela, do alívio trazido às famílias pelo pagamento do 13º salário. “Famílias com o beneficio tiveram certo conforto para organizar suas finanças”, ressalta.

O índice de endividamento – que mostra que as famílias contraíram dívida, mas têm condição de pagá-la – também mostrou avanço. Em dezembro de 2018, ficou em 70,9%, com aumento de 1,1 ponto percentual em relação a dezembro de 2017, quando era de 69,8%. No comparativo com novembro, quando o índice foi de 69,1%, o avanço foi de 1,8% ponto percentual.

Segundo Elisa Castro, tal índice reflete a sazonalidade do período, com o incremento da renda familiar devido ao 13º salário e compras relativas às festas natalinas. “O aumento mostra que as famílias estão indo mais às compras, mostrando confiança em relação à renda familiar”, comenta Elisa Castro.

Ainda de acordo com a pesquisa, as famílias que responderam que não têm condições de pagar as dívidas chegaram a 14,6% em dezembro, uma pequena queda em relação a novembro, quando o índice foi de 15%. Mas, frente a dezembro de 2017, quando o índice era de 9,4%, o avanço foi de 5,2 pontos percentuais. Ainda segundo a pesquisa, a maior parte (74,7%) das famílias endividadas tem compromissos por tempo igual ou superior a 90 dias.

Elaborado a partir de dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Peic mede o endividamento das famílias com cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimo pessoal, prestações de carro e seguros.

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Juros – A principal modalidade de dívida é com o cartão de crédito, que chega a 88,8%. Elisa Castro pondera que o cartão pode ser útil no planejamento financeiro das famílias, mas deve ser usado cuidadosamente, caso contrário, pode complicar a situação com as dívidas, já que a modalidade possui os maiores juros praticados no mercado, com média de 278,88% ao ano. Entre outras modalidades de dívida estão os carnês (26,3%); financiamento de carro (22%) e financiamento da casa (15,3%).

Em média, as dívidas comprometem 30,6% do orçamento mensal. Mas, em 22,7% dos casos, o comprometimento do orçamento mensal é de 50% ou mais. “Isso é negativo e mostra a falta de cultura de planejamento”, alerta a analista.