Créditos: Arquivo UFLA/Divulgação

O ano de 2018 foi conturbado. Diversos acontecimentos influenciaram a produção. O agronegócio, tanto em Minas quanto no País, foi diretamente atingido pela “greve” dos caminhoneiros. Antes dela, já sofria os efeitos do aumento do preço do diesel. Durante, foi penalizado com o bloqueio de estradas que geraram prejuízos aos produtores rurais. Por fim, foi prejudicado pelo tabelamento do frete. Outros fatores que refletiram diretamente na atividade foram as suspensões das exportações de gado vivo e do uso de produtos fitossanitários.

“Os efeitos desses fatores geraram desdobramentos para o setor produtivo”, diz Aline Veloso, coordenadora da Assessoria Técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg). Ainda assim, o setor deve manter os resultados semelhantes aos de 2017, com o Valor Bruto da Produção Agropecuária mineira entre R$ 59 bilhões e R$ 60 bilhões.

As safras, no primeiro semestre, e a oferta de alimentos contiveram a inflação, favorecendo os consumidores. Mas, a partir das interrupções das estradas pelos caminhoneiros, no fim de maio, insumos não chegaram às propriedades rurais, as agroindústrias ficaram sem matérias-primas e a produção não chegou aos centros de abastecimento nas cidades. Os prejuízos acumulados caíram sobre o produtor rural, que já acumulava custos altos – sobretudo em razão de insumos importados, do aumento dos combustíveis e da energia elétrica.

Nesse sentido, o impacto também foi sentido pelos consumidores ao longo do segundo semestre, quando o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) registrou aumento dos preços dos alimentos, especialmente “fora de casa”. O indicador agora já apresentou queda de outubro para novembro e deve voltar a cair.

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Fôlego baixo – De modo geral, a economia brasileira permaneceu enfraquecida, em razão da alta taxa do desemprego e do ambiente de negócios desaquecido. O cenário refletiu nos baixos índices de confiança do empresariado.

O agravante em Minas Gerais foi a crise fiscal pela qual passa o Estado, com escalonamento dos salários do funcionalismo público, diminuindo o volume de recursos na economia regional. Somando-se a isso, pesaram também as incertezas jurídicas influenciado pela política interna, relacionadas às eleições presidenciais e ao governo de Minas. A partir da definição dos eleitos, o ambiente econômico apresentou-se mais favorável, com perspectivas de aceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e retomada de investimentos em 2019.

JUROS FAVORÁVEIS

No cenário econômico, um ponto positivo em 2018 foi a redução da Selic a patamares de 6,5% ao ano, que favoreceu a redução das taxas de juros do Plano Agrícola e Pecuário. Nesse quesito, foram grandes os esforços de representantes do setor produtivo para adequação do PAP e do seguro rural, além de orçamento para o ano de 2019.

FUTURO

Para 2019 a expectativa é de ampliar as exportações por meio da abertura de novos mercados. O desafio, segundo a CNA, será a ampliação dos destinos e diversificação da pauta exportadora, a partir de negociações bilaterais. Ações de médio e longo prazo estão sendo empreendidas com quatro produtos: leite, pescados, hortaliças e flores, especialmente em nível de produção rural (na formação do produtor para a exportação direta), no fortalecimento e articulação de empreendedores e no destravamento de barreiras técnicas internacionais. Há previsão de projeto-piloto a ser empreendido em Minas, com apoio do Sistema CNA e Apex Brasil, na cadeia da cafeicultura. A intenção é incluir pequenos e médios produtores no processo de exportação.