No Estado, área em produção cresceu puxada principalmente pelo Sul de Minas e Cerrado - Arquivo Senar Minas

A safra de café 2017/18 foi recordista. O ano de bienalidade positiva na maior parte das regiões produtoras alavancou a produção, que chegou a 59,9 milhões de sacas no País. Destaca-se o incremento produtivo gerado pelas condições climáticas favoráveis e pelo avanço da tecnologia.

Principalmente no que se refere à produtividade, é cada dia maior a eficiência do cafeicultor. A alta da produtividade chegou a 33% para o arábica, passando de 23,1 sacas por hectare para 30,7, e a 35,3% para a espécie robusta – de 28,01 sacas por hectare em 2017 para 38 sacas/hectare neste ano.

As 31,9 milhões de sacas colhidas em Minas Gerais neste ano representaram um incremento de 30% em relação à safra anterior em decorrência da bienalidade (um ano de alta seguido de período de baixa). Mas, ao comparar com 2016 (safra cheia), a alta foi de 3,8%.

A área em produção teve ligeiro aumento de 2,2%, alcançando 1 milhão de hectares, puxada principalmente pelas regiões do Sul de Minas e Cerrado, que ampliaram a área em 2,3% e 11,4% respectivamente. Já as regiões das Matas de Minas e Chapada reduziram em 1,1% e 18,7%, sendo essa última por dificuldades climáticas e manejo de áreas.

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Fora do compasso – De acordo com a analista de agronegócios da Faemg Ana Carolina Gomes, alguns fatores estão pesando sobre as cotações do grão. Safra alta, dólar valorizado, clima favorável e especulações em relação às floradas desta nova safra também impactam os preços. Além da grande oferta do Brasil, iniciou-se o período de safra e entrada de café de outros países, como Colômbia e Vietnã. Os produtores no Estado estão pagando para produzir, uma vez que o valor pago pela saca de café está menor que o custo de produção, que varia de acordo com a região e o uso de tecnologia aplicada.

BALANÇO DE 2018

Brasil
59,9 milhões de sacas, aumento de 33,2% frente a safra anterior (dados da produção estimada – Conab)

Minas Gerais
31,9 milhões de sacas, safra 30% maior que a anterior. Maior estado produtor, responsável por 53% da colheita nacional
607 municípios produzem café em Minas; em 340 deles, é a principal atividade econômica

MENOS SACAS EM 2019

O cenário observado neste segundo semestre de 2018 traz a expectativa de uma safra menor, dada a bienalidade negativa da cultura e com qualidade inferior em decorrência da falta de uniformidade na maturação encontrada nas lavouras.

A ocorrência de chuvas abundantes neste fim de 2018 e início de 2019 será decisiva para a cadeia cafeeira. É este um dos mais importantes momentos para o florescimento, o pegamento dos chumbinhos e a granação dos frutos.

Só após esta fase, será possível avaliar a perspectiva da safra 2019. A princípio, a expectativa é de que haja produção menor do que a atual, porém, não tão baixa quanto se esperava no primeiro semestre de 2018.

MERCADO EXTERNO

As exportações de café em Minas Gerais encerraram os primeiros dez meses do ano com queda de 4% no volume. Ao todo, foram destinadas 948,5 mil toneladas de café para o mercado externo, equivalente a 15,8 milhões de sacas. Enquanto a média de preço praticada entre janeiro e outubro de 2017 foi de US$ 278 por tonelada, em igual intervalo do ano atual o volume foi comercializado a US$ 238. A queda foi de 14%.