Estado conta atualmente com uma produtividade média de 1.803 litros/vaca/ano - José Israel/Faemg

Minas Gerais é o maior produtor nacional de leite, com a participação de 27% do total. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Estado detém um rebanho efetivo de 5,8 milhões de vacas ordenhadas, com produtividade média de 1.803 litros /vaca /ano.

O preço médio do leite pago ao produtor mineiro, em novembro de 2018, foi R$ 1,46/litro, valor 27,3% superior ao do mesmo mês do ano anterior. No entanto, os aumentos constantes nos custos de produção reduziram fortemente as margens de rentabilidade da atividade. Esse fato já se reflete nos investimentos dos produtores com alimentação do rebanho e outros itens do processo produtivo e, consequentemente, teve reflexos na produção de leite.

Segundo o analista de agronegócios da Faemg Wallisson Lara, dois motivos explicam porque o preço do leite aos produtores não acompanhou o aumento dos custos de produção: a estagnação do consumo interno (que não absorveu o crescimento da produção) e a manutenção, no mercado internacional, do preço do leite em pó em patamares semelhantes aos valores do final do ano passado (US$ 2,667/tonelada), favorecendo a importação de lácteos. De janeiro a outubro, foram importados 680 milhões de litros de leite, sendo 53% da Argentina (65.635 toneladas) e 38% do Uruguai (47.059 toneladas).

Mercado – 2018 foi marcado pela continuidade na estagnação do consumo no mercado interno, interrompendo uma trajetória de crescimento que vinha desde 2000, acumulando 40% de expansão. Para o pagamento de dezembro, a pressão de baixa ganha força no Sudeste e Centro-Oeste, com pelo menos 75% dos laticínios estimando queda para o produtor, no período que, historicamente, é de safra.

Exportações – As exportações mineiras de lácteos, de janeiro a outubro deste ano, recuaram 40,5% em receita (US$ 33,1 milhões) e 32,7% em volume (12.476 toneladas).

Programa Balde Cheio – Em um ano de altos custos de produção e desvalorização do produto final, foi grande a procura dos produtores mineiros pelo Balde Cheio. O programa, gerido em Minas pela Faemg, capacita técnicos para orientar os produtores a melhor gestão da propriedade, auxiliando na tomada de decisões, atacando os gargalos e otimizando oportunidades. Como consequência, é sensível a redução dos custos e aumento da produtividade por área (a média dos participantes é de 4.485 litros/ha/ano, índice 2,5 vezes maior do que a média estadual).


Em seu 11º ano de funcionamento, o Balde Cheio fecha 2018 com mais de 2.500 produtores atendidos em 330 municípios, por 220 técnicos capacitados.

BALANÇO DE 2018

Brasil
34 bilhões de litros (produção estimada – estabilidade frente a 2017)
Minas Gerais
9,4 bilhões de litros (produção estimada – estabilidade frente a 2017)
R$ 8,4 bilhões (Valor Bruto da Produção estimada)

QUEIJO EM VALORIZAÇÃO

O Projeto de Lei (PL) 4.631/17, que trata da produção e comercialização de queijos artesanais, foi aprovado em 2º turno pelo Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), na terça-feira (11), e seguiu para sanção do governador. O texto define critérios para produção e comercialização de queijo artesanal; conceitua termos comuns do setor; estabelece diretrizes para identificação dos queijos artesanais; prevê as competências de secretarias e empresas do Estado; determina obediência a padrões a serem regulamentados; dispõe sobre o transporte de queijos artesanais; e delineia critérios de fiscalização. A lei é vista como um divisor de águas para a valorização da produção mineira. Para o superintendente da Faemg, Altino Rodrigues Neto, “será uma alavanca para a comercialização do queijo, inclusive para além das fronteiras de Minas”.

Em maio, a Faemg promoveu o Festival do Queijo Minas Artesanal de leite cru, que atraiu 10 mil pessoas e movimentou mais de R$ 500 mil. E, no decorrer do ano, o produto conquistou prêmios nacionais e internacionais.

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BONS VENTOS PARA 2019

• Fundo Sanitário – Foi criado o Fundesa-MG em 2018. O Fundo Sanitário Animal de Minas Gerais auxiliará o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal – PNCEBT. O fundo possibilitará indenização, inclusive, para possíveis casos de febre aftosa, representando mais um passo para a futura retirada da vacinação contra a doença. Permitirá também a abertura de outros mercados, ainda mais exigentes, fomentando as exportações.


• Conseleite – A constituição do Conseleite-MG em 2018 foi um primeiro passo para a organização da cadeia produtiva, viabilizando o diálogo consistente com a indústria, estabelecendo um preço base para a comercialização do leite no Estado e prospectando dias melhores para a cadeia de valor.


• Projeto Campo Futuro – Realizados cinco painéis em Minas Gerais, os dados mostraram que há heterogeneidade nos sistemas produtivos, na sua maioria dependente de pastagens sem explorar o seu potencial, e os rebanhos com predominância de animais girolando. Já os indicadores econômicos apresentaram elevados custos de produção, baixa eficiência da mão de obra contratada, alto custo com a produção de silagem e, por fim, baixa remuneração do capital em três dos cinco painéis realizados.