Foto: Michelle Muls

Ao longo da 20ª edição do Diálogos DC, realizada ontem na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), na região Leste, o estudo Visão 2030 – Minas Gerais, realizado pela consultoria norte-americana McKinsey, foi apresentado. O tema Desenvolvimento Econômico foi o terceiro pilar analisado.

No quesito, de acordo com o sócio da Mckinsey & Company Brasil, Henrique Ceotto, mais uma vez Minas Gerais regrediu em praticamente todos os indicadores. Minas vem perdendo consistentemente competitividade. Piorou em cinco de 10 critérios que medem seu ambiente de negócios no ranking do Centro de Liderança Pública (CLP), fator agravado por uma queda da 23ª para a 25ª posição no Índice de Burocracia Fiscal. Além disso, somos um dos estados com menor taxa de investimento em relação ao PIB estadual.

“Para alcançar um desenvolvimento inclusivo e sustentável precisávamos dobrar o PIB per capita até 2030 e já estamos atrasados quanto a isso. Precisamos, também, melhorar a produtividade, mas ela está decrescendo na comparação com Estados Unidos, Alemanha e Japão. Ainda não oferecemos oportunidades para as pessoas saírem da pobreza.

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Precisamos dar um salto de eficiência na gestão. Estamos no sexto lugar no ranking de produtividade e caindo em todos os indicadores. Historicamente, o Estado cresce em linha com o Brasil. A situação é muito ruim, andando de lado ou para trás”, pontuou Ceotto.
Para alcançar as metas definidas para o Estado, o estudo chegou à definição de nove grandes objetivos, considerando desde a atração de investimentos à contenção de gastos públicos e a simplificação da máquina tributária:

Choque de investimento para viabilizar o crescimento sustentável – Minas Gerais tem uma das menores taxas de investimento, em proporção ao PIB, comparado a outros estados brasileiros. O Brasil, por sua vez, reduziu seu nível de investimentos para o mais baixo patamar da série histórica desde 1960;

Contenção dos gastos públicos e a melhoria de sua qualidade – os gastos correntes do Estado estão aumentando;

Redução do custo e da dificuldade de se fazer negócios – Minas Gerais retrocedeu em cinco de 10 critérios que avaliam seu ambiente de negócios, mas subiu da 7ª para 6ª posição no ranking de Competitividade do Centro de Liderança Pública (CLP);

Reorganização e simplificação da máquina de gestão tributária e diminuição de informalidade – Minas Gerais está na 25ª posição do Ranking de Competitividade do CLP. No âmbito de complexidade tributária, Belo Horizonte está na 25ª posição, entre 32 cidades, do Ranking de Cidades Empreendedoras;

Garantia de gestão sustentável de recursos, preservando patrimônio futuro – o Estado ocupa 12ª posição em sustentabilidade ambiental pelo mesmo ranking, tendo recuado três posições nos últimos dois anos;

Eliminação de barreiras de infraestrutura para o aumento da competitividade – retrocedeu em cinco de 10 critérios que avaliam sua infraestrutura, mas avançou do 12ª para 6ª posição no do Ranking de Competitividade do CLP;

Aumento da conectividade com o mundo, para aumentar a competitividade e incentivar o crescimento – Minas continua fechado ao comércio internacional em comparação ao Brasil, que também tem desempenho abaixo de outros países emergentes;

Transição do fomento setorial baseado em subsídios para foco em pesquisa, desenvolvimento e formação de talentos – não houve redução significativa no volume de subsídios, por outro lado, os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e formação de talentos continuam baixos;

Universalização do acesso da população a bens e serviços essenciais à dignidade – mais de 80% dos domicílios mineiros tem uma renda inferior ao mínimo necessário para a manutenção de uma vida digna.

“É fundamental para a mudança desse quadro conscientização e vontade de mudança. E isso passa pela liderança. Nós, como líderes, como empresários, temos essa obrigação.

Percebemos que, finalmente, o brasileiro típico deixou a zona de conforto e devemos aproveitar e direcionar esse movimento de engajamento”, afirmou o chairman do Conselho Global de Clientes da McKinsey, Nicola Calicchio.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Em termos de Desenvolvimento Econômico, o sonho estabelecido pelo Visão Minas 2030 é equivalente à aspiração do Visão Brasil 2030 de “aumentar a prosperidade dos mineiros por meio de um modelo de crescimento inclusivo e sustentável”. Para atingir esse sonho, definiram-se três grandes metas:

• Dobrar o PIB per capita até 2030;

• Diminuir a desigualdade de renda, posicionando o País – e Minas Gerais – no 3º quartil do ranking de igualdade do Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU;

• Acelerar o crescimento de produtividade mineira.

Nos últimos anos, o Estado não conseguiu avançar no ritmo necessário em nenhuma das três grandes metas estabelecidas para o setor:

• Regrediu em relação à meta de dobrar o PIB per capita e, caso mantenha a taxa de crescimento média das últimas duas décadas, Minas Gerais levará até 2052 para dobrar o seu PIB per capita;

• O estudo mostra também que, se Minas Gerais fosse um país, seguiria entre os mais desiguais do mundo, no 4º quartil do Índice de Gini, apesar de ter subido seis posições nos últimos seis anos – o Estado tem um índice de desigualdade melhor que o do Brasil, mas precisa acelerar sua evolução nesse tema em duas vezes para estar no 3º quartil até 2030;

• O Estado tem desempenho pior do que o do País em produtividade – que, por sua vez, só cresce economicamente devido ao aumento da população. A insustentabilidade do modelo atual pode afetar o panorama futuro: até o final de 2030, a pirâmide demográfica de Minas mudará e teremos apenas quatro indivíduos economicamente ativos a cada aposentado, sete a menos do que tínhamos nos anos 2000. (DM)