As usinas eólicas respondem por quase 60% da capacidade contratada, com 1,25 gigawatt - Foto: Arquivo DC

São Paulo – Estrangeiras como EDP Renováveis, da portuguesa EDP, e as francesas EDF e Voltalia, além de empresas locais como Eneva, Casa dos Ventos e Copel destacaram-se entre os vencedores de leilão do governo na sexta-feira para contratar novas usinas de geração, segundo a consultoria ePower-Bay e a Câmara de Comercialização da Energia Elétrica (CCEE).

O chamado certame A-6 fechou a contratação de 2,1 gigawatts em empreendimentos, que devem demandar investimentos de cerca de R$ 7,7 bilhões até 2024, quando os projetos precisarão entrar em operação.

As usinas contratadas assinam contratos de 20 a 30 anos de duração com distribuidoras de energia locais, com os acordos mais longos válidos para as hidrelétricas e os mais curtos para projetos eólicos. Térmicas assinam contratos de 25 anos.

A EDP Renováveis foi a elétrica que viabilizou a maior capacidade no leilão, com cerca de 430 megawatts em usinas eólicas a serem implementadas no Rio Grande do Norte, em dois complexos. Em um dos empreendimentos, o parque Monte Verde, de cerca de 253 megawatts, a empresa tem como sócia a Gestamp Eólica Brasil, segundo a CCEE.

Já a Eneva, que tem como principais acionistas o BTG Pactual, a Cambuhy Investimentos, a alemã E.ON e o Itaú Unibanco, conseguiu negociar a produção futura de um projeto de fechamento do ciclo de sua termelétrica Parnaíba 1, com 363 megawatts, que deverá demandar R$ 1,2 bilhão, segundo comunicado da empresa.

Em terceiro lugar entre os grupos que viabilizaram mais projetos (em capacidade) ficou a francesa EDF, com cerca de 277 megawatts em eólicas na Bahia, segundo a e-Power Bay.
Juntas, Eneva, EDP Renováveis e EDF responderam por cerca de metade da contratação do certame, com aproximadamente 1 gigawatt em capacidade.

A e-Power Bay apontou ainda como importantes vencedoras da licitação a brasileira Casa dos Ventos, com 206 megawatts eólicos na Bahia e no Rio Grande do Norte, a também francesa Voltalia, com 115,6 megawatts em eólicas no Rio Grande do Norte, e a CPFL Renováveis, da CPFL, controlada pela chinesa State Grid, com uma eólica de 70 megawatts no Rio Grande do Norte e uma pequena hidrelétrica de 28 megawatts no Paraná.

Segundo a empresa, ainda obtiveram contratos no leilão a Rio Energy, do fundo norte-americano Denham Capital, com cerca de 85 megawatts em eólicas na Bahia; e a Enerfin, do grupo espanhol Elecnor, com 69,3 megawatts em eólicas no Rio Grande do Norte.

Já a estatal paranaense Copel conseguiu vender a produção da pequena hidrelétrica Bela Vista, no Paraná, que terá 29 megawatts em capacidade instalada. Em comunicado, a companhia disse que o empreendimento deverá receber investimento de R$ 200 milhões.
O leilão ainda teve a venda da produção da hidrelétrica de Baixo Iguaçu, que tem como principal acionista a Neoenergia. A usina, que já tinha sido outorgada em um leilão anterior e terá uma capacidade instalada de 350 megawatts, negociou 171,3 megawatts em energia.

Resultados por fonte – As usinas eólicas responderam por quase 60% da capacidade contratada no leilão A-6, com 1,25 gigawatt, e tiveram ainda o menor preço da concorrência: em média, R$ 90,45 por megawatt-hora, deságio de cerca de 60% ante o teto estabelecido para a fonte, de R$ 227.

Já as usinas a gás, que foram 17,3% da contratação, apenas com o projeto da Eneva, tiveram preço de R$ 179,98 por megawatt-hora, desconto de 41,6% frente ao teto de R$ 308 para termelétricas.

O leilão contratou ainda cerca de 22% da capacidade em hidrelétricas e 1,36% em usinas movidas a biomassa. (Reuters)