Considerada o polo da moda de Minas Gerais, a cidade de Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, realiza semestralmente a feira Minas Veste Brasil (MVB) por meio do Sindicato da Indústria do Vestuário de Divinópolis (Sinvesd), mas não necessariamente apenas na cidade. Este ano, por exemplo, de forma inédita, as duas edições aconteceram fora do Estado, mais precisamente em João Pessoa, na Paraíba, sendo que somente a última edição, realizada em agosto, movimentou R$ 2,830 milhões em seus dois dias de evento.

É que 70% dos compradores das roupas produzidas em Divinópolis são do Nordeste, especialmente dos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. A realização do evento em uma capital nordestina, portanto, foi uma forma de contemplar este mercado, e também reduzir os custos.

“Antes, o MVB acontecia em BH, mas com a nova gestão, trouxemos a feira para Divinópolis, onde foram realizadas as 6ª e 7ª edições. Em João Pessoa, realizamos as 8ª e 9ª edições, porque por meio de alguns arranjos conseguimos reduzir um pouco os custos e viabilizar o evento ali”, explica o presidente do Sinvesd, Marcelo Ribeiro.

Com as vendas de roupas somente no atacado, a última edição arregimentou 24 empresas de Divinópolis, 179 compradores do Nordeste e custou em torno de R$ 190 mil em investimentos do Sebrae e do próprio sindicato.

“50% dos lojistas que eu levo à feira têm pequenas empresas, e a ideia é, com essas oportunidades, torná-las médias empresas para que se tornem grandes depois. As grifes que estão lá conseguem em dois dias o faturamento de três meses. Para você ter uma ideia, tivemos uma pequena empresa que conseguiu faturar no evento o que fatura em seis meses. Mensalmente em Divinópolis ela vende R$ 40 mil, mas na MVB ela conseguiu vender R$ 240 mil”, conta Ribeiro.

Mesmo otimista com os resultados deste ano, que totalizaram R$ 5,5 milhões em negócios, ele acredita que a expectativa de se realizar a 10ª edição da MVB em Divinópolis pode dobrar esta projeção, dado o resultado do ano anterior, quando a feira foi instalada na própria cidade e movimentou em torno de R$ 9 milhões somando suas duas edições daquele ano.

“Acredito que 2018 tenha sido o melhor dos últimos quatro anos para nós, considerando que o primeiro semestre já foi bastante positivo. O crescimento do faturamento das nossas empresas filiadas foi de mais de 6% em relação ao ano passado. Por isso, o plano é fazer a 10ª edição aqui em Divinópolis, em fevereiro de 2019, com uma comemoração bem bacana pelos 10 anos de MVB, e uma projeção de crescimento de 20% em relação à última edição da feira realizada em Divinópolis”, comenta.

O crescimento previsto se deve também à quantidade de grifes presentes na feira. Por causa da logística, foi possível levar a João Pessoa somente 24 empresas, mas em Divinópolis, mais marcas da cidade poderão ser contempladas, pelo menos, 60. O Sinvesd conta com 300 empresas filiadas.

Uma possibilidade é que um dos eventos no ano aconteça sempre em Divinópolis e que o segundo aconteça em outra cidade, para diversificar o público e ampliar o alcance.

Desafios – “Com o aumento do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) nós perdemos competitividade fora do Estado, o poder de brigar de igual para igual. Outro desafio é trazer a produção para dentro das empresas, uma vez que trabalhamos muito com terceirização aqui em Divinópolis”, comenta.

Preferência – Marcelo Ribeiro também credita a preferência do Nordeste pelas grifes mineiras à exclusividade das peças feitas em Divinópolis. “A roupa produzida aqui na cidade é diferenciada, porque são coleções, estampas e modelos exclusivos, e cada empresa tem uma característica única, uma identidade. Isso também ajudou a conquistar a preferência do Nordeste”, conclui.