Brasília – O presidente Michel Temer e outras lideranças do então grupo do PMDB da Câmara, como Eduardo Cunha (RJ) e Henrique Eduardo Alves (RN), conseguiram fazer com que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeasse o engenheiro Jorge Zelada para a Diretoria Internacional da Petrobras, e essa divisão da estatal, sob o controle do partido, tratou de promover um contrato com “margem para propina” de US$ 40 milhões afirmou o ex-ministro Antonio Palocci em depoimento de delação premiada tornado público ontem.

“Que pode exemplificar que o PMDB, ao ocupar a Diretoria Internacional, tratou de promover a celebração de um contrato de SMS na área internacional com a Odebrecht com larga margem para propina, a qual alcançava cerca de 5% do valor total de US$ 800 milhões, ou seja, US$ 40 milhões”, disse Palocci, em depoimento prestado na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR) no dia 13 de abril.

Segundo relato do ex-ministro, o contrato da SMS, “tamanha a ilicitude revestida nele”, teve seu valor revisado e reduzido de US$ 800 milhões para US$ 300 milhões. Ele cita que esse episódio é narrado por colaboradores da Odebrecht e que houve pressão do PMDB para nomear o diretor da área internacional da Petrobras, com “episódios de trancamento de pauta do Congresso”, exemplificou.

Zelada foi nomeado para a diretoria internacional em março de 2008 e na ocasião Temer era deputado federal e presidente do então PMDB.

Palocci afirmou que essa diretoria era ocupada anteriormente por Nestor Cerveró, que representava os interesses do então senador Delcídio do Amaral, então no PT do Mato Grosso do Sul. Ele disse que, posteriormente, o grupo liderado pelo deputado Fernando Diniz, do PMDB mineiro, exigiu a diretoria. Diniz foi chamado por Palocci na delação de “notadamente corrupto” e que antes de emplacar Zelada houve a recusa da nomeação de João Henriques para o cargo.

Em nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República disse que “a indicação de Jorge Zelada foi do PMDB de Minas Gerais, e não houve participação do presidente na escolha do nome”. (Reuters)