Foto: Feam

Principal afluente do rio Doce, o rio Piracicaba, com seus 241 quilômetros, entre as cidades de Ouro Preto (região Central) e a divisa entre Ipatinga e Timóteo (Vale do Aço), vai receber, pela segunda vez na sua história, uma expedição científica, batizada agora como “Expedição Piracicaba – Pela Vida do Rio”.

Dessa vez, entre os dias 26 de maio e 5 de junho, participarão 16 pesquisadores da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) – Campus Itabira, de um total de 24 pessoas. A Expedição buscará a mobilização social em prol da revitalização da bacia e promoverá eventos de cunho socioambiental e cultural nas 21 cidades que serão visitadas.

De acordo com o presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Piracicaba (CBH-Piracicaba), Flamínio Guerra, a atualização e ampliação dos dados coletados em 1999, por uma expedição comandada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é fundamental para a preservação e desenvolvimento das populações da Bacia do Rio Piracicaba.

“Naquela época, os cientistas trabalharam com nove parâmetros, agora serão 21. Será, então, um estudo mais profundo. Em torno do rio Piracicaba se desenvolveu um dos polos siderúrgicos mais importantes do País e ele, ainda, é o principal contribuinte para a água do rio Doce. Isso tudo faz dele um rio muito importante e, como os demais, precisa ser conhecido e preservado”, explica Guerra.

Ao longo do rio serão coletadas amostras de água e solo, além de levantamentos sobre uso e ocupação do solo e identificar fontes poluidoras, como indústrias e pontos de lançamento de efluentes. Entre os parâmetros de qualidade da água que serão analisados estão pH, temperatura, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica, turbidez, concentração de nitrogênio, fósforo, amônia, coliformes termotolerantes, sólidos totais e sílica solúvel.

Segundo o coordenador técnico da Expedição e coordenador do Mestrado Profissional em Gestão e regulação de recursos Hídricos (Prof. Água) da Unifei, José Augusto Costa Gonçalves, a expedição deve gerar informações que vão subsidiar a geração de conhecimento especialmente no curso de Engenharia Ambiental.

“A Unifei está presente em Itabira (região Central) desde 2008, portanto inserida no contexto da Bacia do Piracicaba há muito tempo. A universidade é uma espécie de guardiã do conhecimento que ajuda a entender todo o processo de mineração e das grandes reflorestadoras que estão instaladas ao longo do rio. Esse conhecimento pode oferecer soluções para os impactos ambientais sofridos ao longo da Bacia e extrapolar esse benefício para outras regiões que tem características e problemas parecidos”, analisa Gonçalves.

Outro ponto importante desse trabalho é a contribuição que ele pode dar à recuperação do rio Doce, severamente atingido pelo rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, em Mariana (região Central), em 2015. O crime, cometido pela mineradora Samarco, subsidiária da Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, é considerado o maior desastre ambiental da história do Brasil e, segundo especialistas, inviabilizou a vida no rio Doce até a seu encontro com o Oceano Atlântico, no estado do Espírito Santo.

“Essa expedição vem numa hora muito importante em decorrência das várias situações ocorridas com os rios em Minas e no Brasil. É importante comparar com os resultados de 1999. A ideia é avaliar o que aconteceu nesses 20 anos. O rio Piracicaba é um dos maiores tributários de água para o rio Doce e, por isso, se conseguirmos bons resultados com essa pesquisa e gerarmos soluções interessantes vamos, certamente, contribuir para a saúde da Bacia do Rio Doce a partir do encontro dos dois rios”, completa o coordenador técnico da expedição.