No acumulado do ano até meados de outubro, Brasil já exportou 73 milhões de toneladas de soja - Fabio Scremin

São Paulo – As exportações de soja do Brasil em 2018 deverão ficar acima das expectativas da própria indústria brasileira da oleaginosa, com a demanda da China derivada da disputa comercial com os Estados Unidos (EUA) mantendo elevados os embarques do País nos últimos meses do ano, um período em que tradicionalmente minguariam, afirmou a associação do setor Abiove.

Isso está sendo possível também porque o Brasil nunca colheu tanta soja como na safra 2017/18. Além disso, há avaliações de alguns operadores de que a última colheita tenha sido ainda maior do que o estimado, disse à Reuters o gerente de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Daniel Amaral.

A Abiove estimou, no início de outubro, exportações de 77 milhões de toneladas para o ano-calendário de 2018, e o volume embarcado no acumulado de 2018 até meados deste mês já atingiu 73 milhões de toneladas.

“E tem mais a soja que está no line-up para este mês. Já chega ao final de outubro perto da projeção da Abiove para o ano”, afirmou Amaral, sem apontar um novo número para os embarques do principal produto de exportação do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, que vai exportar mais de US$ 30 bilhões em 2018 só do grão.

Ele ponderou que as projeções da Abiove, feitas com base em associados como ADM, Bunge, Cargill, Louis Dreyfus, Amaggi e Cofco, foram “pensadas” com expectativas de uma “retomada” das relações dos Estados Unidos com a China.

“Mas este cenário está um pouco distante de acontecer, a China continua fazendo compras no Brasil”, afirmou ele, referindo-se ao fato de os chineses terem praticamente abandonado o mercado norte-americano após Pequim ter imposto, em julho, uma tarifa de 25% sobre a soja dos EUA, em retaliação a medidas de Washington.

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Entressafra – As exportações de soja do Brasil, com cerca de 80% indo para a China este ano, seguem relativamente fortes na entressafra, apesar de o País já ter exportado, no acumulado de 2018, cerca de 5 milhões de toneladas a mais do que o volume de 68 milhões de toneladas embarcado em 2017, quando o País havia marcado um recorde.

Muitos integrantes do setor se perguntam até quanto poderia ir a exportação neste ano, especialmente porque alguns acham que a safra foi efetivamente maior do que a estimada. A Abiove estima a produção 2017/18 em 119,5 milhões de toneladas.

“Pode ser que a safra tenha sido um pouco maior, existem estimativas de associados indicando que talvez a oferta doméstica tenha sido um pouco maior”, disse ele. A consultoria Datagro, por exemplo, estima uma safra de 120,2 milhões de toneladas.

Já com a colheita finalizada, as exportações do Brasil foram recordes para o mês de setembro, o que já pode ser dito também de outubro (cerca de 4 milhões de toneladas), com base em dados do governo levantados pela Reuters. (Reuters)