Estimativa é de que produção de carne de frango também registre queda de 1,7% no ano - Divulgação

São Paulo – Os embarques de carne de frango do Brasil devem fechar 2018 em queda de 5,1%, uma retração maior do que a esperada, após indústrias sofrerem com produção em baixa, greve de caminhoneiros, “burocracias internas” e restrições em alguns mercados, disse ontem a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).


Maior exportador global da proteína, o Brasil deve vender ao exterior, até o fim do ano, 4,1 milhões de toneladas de carne de frango, ante 4,32 milhões em 2017. Em meados do ano, ainda sentindo os efeitos das manifestações de caminhoneiros, a ABPA estimou que as vendas cairiam entre 2% e 3%.


“Tivemos outros problemas. Muitos deles decorrentes de burocracias internas, adequação de produtos em alguns países e diminuição de produção”, afirmou o diretor-executivo da ABPA, Ricardo Santin, durante coletiva de imprensa em São Paulo.


As “burocracias internas” seriam basicamente as relacionadas à fiscalização em plantas produtoras, comentou.


Conforme ele, problemas em alguns mercados importadores da proteína nacional também responderam pela retração. Ele citou barreiras comerciais no Egito, alteração de critérios de abate na Arábia Saudita e o próprio embargo da União Europeia a 20 exportadoras, sobretudo de unidades da gigante BRF.


Apesar disso, frisou o executivo, o Brasil segue como líder global no fornecimento do produto.


A ABPA estima que a produção de carne de frango neste ano caia 1,7%, para 12,82 milhões de toneladas, voltando a crescer 1,39% em 2019, para 13,2 milhões de toneladas, puxada pelo maior alojamento de matrizes.

Carne suína – A ABPA também estimou que as exportações brasileiras de carne suína cairão 8% em 2018, para 640 mil toneladas, com a produção recuando 3,2%, para 3,63 milhões de toneladas.


Esse setor, em específico, foi muito prejudicado no ano pelo embargo russo, suspenso em novembro. Para 2019, a expectativa é de uma produção 2% a 3% maior, acima de 3,7 milhões de toneladas, segundo a associação.

Governo Bolsonaro – O presidente da ABPA, Francisco Turra, disse, durante a coletiva, ser contra a transferência da embaixada do Brasil em Israel, algo já prometido pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, dizendo que isso pode afetar os negócios do setor de carnes com as nações islâmicas.


“Uma coisa é falar como candidato, outra coisa é falar como presidente eleito, com equipe. Não se pode afetar as relações”, afirmou ele, destacando que já houve encontro com a futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para se tratar da questão.


Ele também defendeu o fim do estabelecimento dos fretes mínimos para transporte de mercadorias e melhoria de infraestrutura.


Nesse sentido, anunciou um novo projeto, chamado 500K, que visa levar o País a embarcar uma média mensal de 500 mil toneladas de carnes suína e de frango até 2020, frente 394 mil atualmente. (Reuters)