Créditos: Anglo American/Flávia Valsani

São Paulo – A produção de minério de ferro da Anglo American no sistema Minas-Rio, em Conceição do Mato Dentro, no Médio Espinhaço, saltou 61% no primeiro trimestre de 2019 ante o mesmo período de 2018, para 4,9 milhões de toneladas, informou a empresa ontem.

O crescimento ocorreu após a retomada na produção da unidade de minério de ferro que ficou fechada desde março do ano passado após dois vazamentos em mineroduto que atravessa mais de 500 quilômetros de Minas Gerais até porto no Rio de Janeiro.

A unidade obteve autorização para retomar operações em dezembro passado.

“O aumento reflete as otimizações da operação realizadas durante a paralisação de 2018, bem como o acesso ao minério de maior qualidade da mina, após licença ambiental para operação na região conhecida como Etapa 3, em dezembro do ano passado”, disse a Anglo em nota.

Para este ano, a Anglo prevê produção total entre 18 milhões e 20 milhões de toneladas de minério de ferro no Minas-Rio.

Em 2018, a produção da Anglo na unidade somou apenas 3 milhões de toneladas, uma vez que a companhia só produziu no primeiro trimestre, em função do vazamento.

Embora a produção da Anglo seja relativamente pequena globalmente, a retomada do Minas-Rio pode ajudar a aliviar uma parte da queda da oferta do Brasil decorrente das atividades suspensas em algumas minas da Vale, maior produtora global, devido ao desastre em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Apesar da alta na produção de minério, as ações da Anglo American no exterior aprofundaram perdas ontem, após o JPMorgan alertar sobre um eventual corte de US$ 900 milhões no lucro operacional para 2020, se o Minas-Rio falhar em obter até o final do ano a licença operacional para uma barragem.

Procurada, a assessoria de imprensa da Anglo no Brasil afirmou que a empresa mantém a previsão de obter a licença neste ano para a barragem de Conceição de Mato Dentro, apesar da fiscalização mais forte no Brasil após o desastre em Brumadinho.

Segundo a Anglo, a barragem já está sendo alteada, mas a empresa não pode operar a estrutura ampliada sem a licença.

O Minas-Rio já tem capacidade de operar com produção de 26,5 milhões de toneladas/ano, acima do total previsto para este ano, disse a assessoria.

A empresa afirmou que, mesmo que a licença não saia este ano, isso não seria um problema para uma extração de 26,5 milhões de toneladas/ano.

A companhia não deu previsão de quando poderia produzir 26,5 milhões de toneladas/ano.

Cobre – A Anglo American disse ainda, ontem, que problemas técnicos prejudicaram sua produção em geral no primeiro trimestre, que caiu 6%.
Já a produção de cobre da Anglo American subiu 4%, para 161.100 toneladas no período encerrado em 31 de março, disse a empresa.

Ontem, o presidente-executivo da mineradora, Mark Cutifani, disse que a queda na produção total foi compensada pela forte performance no cobre.

“Ao final do trimestre nós tínhamos aumentado nossa taxa de produção, colocando-nos a caminho de entregar as metas de produção deste ano, e nossas projeções estão mantidas”, disse em comunicado. (Reuters)