Que 2019 vai exigir mudanças por parte das empresas e seus gestores, boa parte dos analistas e especialistas já sabe. A Ancona Consultoria, que tem mais de 25 anos de experiência na gestão de negócios, resolveu iniciar o ano com a realização de uma pesquisa de opinião para entender como as empresas vão lidar com esse cenário: um novo ano, sob um novo governo, com as expectativas de melhora na economia etc.

O estudo foi elaborado tomando por base os quatro pilares estratégicos e de gestão que norteiam a consultoria comandada por Paulo Ancona: inteligência, negócios, conhecimento e crescimento. Foram ouvidas 150 empresas de médio porte, de todos os segmentos de atuação, que responderam 18 perguntas. “Com base nas respostas, elaboramos uma fotografia deste momento”, explica o consultor.

A primeira pergunta da pesquisa teve relação com o planejamento para 2019. 76% dos entrevistados não realizaram pesquisas sobre o mercado, fator considerado preocupante pelo time da consultoria. Porém, 74% lançarão novos produtos neste ano; 67% vão promover mudanças no conceito do negócio e 66% alteraram ou alterarão a estratégia de comunicação e marketing. “A maioria das empresas não realizou pesquisas sobre o mercado, sobre os concorrentes ou junto ao seu público-alvo, mas grande parte está preocupada em alterar seu mix de produtos, seu conceito de negócio e/ou sua estratégia de comunicação. Com base em que estão tomando decisões? Como saber se irão atingir o público correto sem analisar o mercado previamente, em sua maior totalidade?”, questiona Ancona.

Para o especialista em gestão de negócios, existe um erro inicial na maioria das empresas em tomar decisões e desencadear ações sem o devido planejamento. Ele explica que é preciso se debruçar para fora dos muros da empresa antes de se tomar decisões. “Existem ferramentas e metodologias adequadas que evitam decisões que muitas vezes podem ser erradas e agravar eventuais problemas já existentes”, explica.

Ainda de acordo com a pesquisa da Ancona Consultoria, 67% das empresas entendem que estão operando de forma adequada para enfrentar 2019. Em contrapartida, há incoerências. Por exemplo: 64% acreditam que a estrutura atual não é a melhor para o ano de 2019; 21% não sabem se é o momento de mudar ou como mudar. Além disso, 65% admitem que precisam ajustar seus processos para que se tornem adequados e otimizados. Desses, 7% ainda não sabem como fazê-lo. Apenas 32% dos empresários entendem suas empresas como eficientes e eficazes. “Como 67% das empresas podem afirmar que operam adequadamente se, mais adiante, 65% delas afirmam que seus processos devem ser melhorados e otimizados e 64% admitem não ter a melhor estrutura para o futuro?”, analisa Ancona.

Otimismo – O levantamento aponta, ainda, que 69% acreditam que 2019 trará mais sucesso e facilidades e 60% refletem que haverá mais condições financeiras de investimentos em capacitação de pessoas. Para 25% ainda é cedo para opinar. Os respondentes destacaram também o que avaliam como importante para 2019: 3% não querem perder os concorrentes de vista; 8% não querem se descolar da cultura atual da empresa; 10% ainda não sabem o que será mais importante em 2019; 12% acham que o mais importante será mudar o posicionamento da marca; 25% analisam que será mudar a forma de se relacionar com o mercado e público e 40% acreditam na criação de estratégias para entrar em novos mercados.

Em relação aos investimentos em tecnologia, 90% dos gestores sofrem algum tipo de pressão para investir na área e 89% afirmam que será necessário investir nesse sentido. “Fica claro que os gestores sentem e sabem que devem fazer algo diferente do que estão fazendo e alterar aspectos como suas estratégias, sua forma de relacionamento com o mercado, seu posicionamento entre os concorrentes ou ainda mudar sua cultura para abrir caminho a mudanças”, entende Ancona.

Para finalizar, o estudo detectou que 95% dos gestores afirmam que será possível crescer em 2019, sendo que: 9% acreditam que isso se dará por meio de novas unidades próprias; 12% vão crescer por franquias; 28% acreditam no crescimento por parcerias e 45% esperam criar novos negócios. Para promover essa ampliação: apenas 5% apostam nas consultorias externas; 7% em estudos de geomarketing; 21% em parcerias com marcas complementares e 66% vão se valer da própria estrutura e competências internas. Além disso, 60% das empresas creem que terão mais oportunidades de se ajustar à competitividade mundial e 30% afirmaram que devem ter participação em exportações ou importações.

Planejamento – “Como conclusões finais vemos uma falta de planejamento mais sólido. As decisões e ações nem sempre são coerentes, mas há um otimismo em relação ao ano de 2019. Os dados levantados só reforçam os resultados de pesquisa anteriores, que apontaram que a falta de planejamento e de olhar para as percepções do mercado e de clientes seguem sendo uma característica das empresas de médio porte, o que, de fato, não é positivo, pois repetem-se respostas retóricas, não suportadas por ações práticas”, afirma Ancona.

O especialista em gestão de negócios recomenda que as empresas participantes da pesquisa migrem, de forma mais objetiva, para um planejamento efetivo. “A visão do mercado não pode ser relegada a um patamar inferior em relação às percepções do que se acredita ser o melhor caminho. O melhor caminho é aquele que o mercado aponta e não aquele que se imagina. Em um momento nebuloso e instável pode parecer desnecessária a elaboração de um planejamento completo para 2019, que leve em conta a percepção do mercado, as estratégias externas e internas, as respectivas adequações de processos e estrutura. Mas, é justamente em momentos como esses que se devem aprofundar as análises, a visão de mudança e oportunidades que possam surgir, bem como criar as condições internas para que a empresa tenha as condições necessárias para se adequar e se flexibilizar. É preciso manter a empresa com as condições adequadas para a única coisa que é certa: ela irá mudar muitas vezes se quiser sobreviver”, finaliza.