O café, que responde por 35,3% das exportações, registrou queda de 16,6% em receita - Divulgação

As exportações do agronegócio de Minas Gerais encerraram os primeiros nove meses do ano com queda de 2,6% no faturamento, que alcançou US$ 5,83 bilhões. Entre janeiro e setembro, foi registrado incremento de 10,8% no volume embarcado, com a destinação de 8 milhões toneladas de produtos agrícolas e pecuários para o mercado mundial. As exportações do agronegócio foram responsáveis por 33,3% do faturamento gerado com os embarques totais do Estado. Os dados são da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa).

No período, o preço médio da tonelada de produtos da atividade agropecuária caiu de US$ 819, praticados entre janeiro e setembro de 2017, para US$ 720,50, retração de 11,9%.
As importações do setor somaram US$ 495,6 milhões, um aumento de 20,25% frente aos US$ 412,1 milhões movimentados anteriormente. Em volume, a alta ficou em 17,89%, com a importação de 530,5 mil toneladas. Ao longo dos primeiros nove meses de 2018, o saldo da balança comercial do agronegócio estadual somou US$ 5,33 bilhões, retração de 4,26%.

De acordo com a Seapa, a China continuou como o principal destino das exportações do agronegócio mineiro. Somente os embarques para o país movimentaram US$ 1,6 bilhão, o que representou um aumento de 38,2% em relação ao montante de US$ 1,1 bilhão registrados no mesmo período do ano anterior. Dessa forma, a participação chinesa nas exportações do agronegócio foi de 27%. Em segundo lugar no ranking dos principais países parceiros estão os Estados Unidos, que movimentou US$ 486,9 milhões ou 8,4% do faturamento gerado com as exportações, seguido pela Alemanha, com 7% na participação, Rússia, 5,4% e Itália, 5,3%.

Dentre os produtos, o café, principal item da pauta exportadora e respondendo por 35,3% das exportações, registrou queda de 16,6% em faturamento, US$ 2 bilhões. Ao todo, foram destinadas 799,4 mil toneladas de café para o mercado externo, variação negativa de 7,8%.

Além da queda no volume embarcado, contribuiu para a retração no faturamento das exportações de café o menor valor pago pela tonelada do grão. Enquanto a média de preço praticada entre janeiro e setembro de 2017 foi de US$ 2.848 por tonelada, em igual intervalo do ano atual, o volume foi comercializado a US$ 2.577, valor 9,5% menor.

Soja – O complexo soja, responsável por 28,6% dos embarques do agronegócio, movimentou US$ 1,66 bilhão entre janeiro e setembro, um avanço de 69,1%. Em relação ao volume, a alta ficou em 59,5% com o embarque de 4 milhões de toneladas.

A comercialização da soja em grãos com o exterior foi responsável por um faturamento de US$ 1,53 bilhão, variação positiva de 69,5%. O incremento em volume ficou em 59% com a exportação de 3,8 milhões de toneladas.

Carnes – O grupo das carnes registrou resultados negativos. Nos nove primeiros meses do ano, a retração no faturamento alcançou 15,3%, com o grupo movimentando US$ 618,1 milhões. Em relação ao volume embarcado, a queda ficou em 12,5%. Ao todo, foram destinadas ao mercado externo 245,2 mil toneladas de carnes.

No grupo das carnes, a maior retração foi verificada nas exportações de frango. Minas Gerais exportou 34% a menos do produto, com o embarque de 95,8 mil toneladas. As negociações movimentaram US$ 148 milhões, valor que ficou 36% inferior.

No segmento de suínos a queda no volume exportado chegou a 15,1%, com o embarque de 11,9 mil toneladas. Com isso, o faturamento caiu 26,9% e somou US$ 20,7 milhões. O valor pago pela tonelada passou de US$ 2.003 para US$ 1.726, uma desvalorização de 13,8%.

Os embarques de carne bovina se mantiveram positivos. No período, foi verificada alta de apenas 0,4% no faturamento com a movimentação de US$ 428,9 milhões. Minas Gerais exportou 130,2 mil toneladas do produto, volume 23,1% maior.

Sucroalcooleiro – Desempenho negativo foi registrado no complexo sucroalcooleiro. Entre janeiro e setembro as exportações recuaram 39,2% em faturamento (US$ 596,7 milhões), e 17,9% em volume, com embarque de 1,9 milhão de toneladas.

Somente as vendas de açúcar ficaram 40,8% menores em faturamento (US$ 573,3 milhões). O volume embarcado, 1,8 milhão de toneladas, também ficou menor, 19,1%.

De acordo com a Seapa, o preço médio do açúcar praticado no mercado internacional foi de US$ 305,62 a tonelada. O valor ficou 26,85% abaixo do praticado no ano anterior, que era US$ 417,84 e levou ao arrefecimento das vendas. Além disso, Bangladesh e Egito, principais parceiros, diminuíram as aquisições, com queda de 62,4% e 72,8%, respectivamente, contribuindo para o mau desempenho do setor.