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São Paulo (*) – O setor atacadista e distribuidor de Minas Gerais faturou R$ 49,7 bilhões em 2018. O montante representa 19% do total arrecadado pelo mercado nacional, que apurou R$ 261,8 bilhões no ano passado, um avanço de 0,8% sobre o exercício anterior.

Os dados são do Ranking Abad/Nielsen 2019, da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad).

Pela primeira vez, em 25 anos do ranking, que compila dados de amostra que representa 42% do setor como um todo, Minas Gerais ultrapassou São Paulo na representatividade do faturamento brasileiro. Enquanto juntas as empresas mineiras somaram 19% das receitas nacionais, as paulistas chegaram a 14,1%. Em terceiro lugar apareceram as catarinenses, com 7,2%.

Para o professor Nelson Barizzelli, coordenador dos projetos da Fundação Instituto de Administração (FIA) e responsável pelas análises do Ranking Abad/Nielsen, embora o levantamento considere as respostas apenas das empresas participantes, a cada ano se torna mais próximo do comportamento do setor, com o faturamento basicamente concentrado em Minas Gerais e alguns estados do Nordeste.

“Esta foi a primeira vez que Minas ultrapassou São Paulo em termos de resultados. Vale destacar que mais atacadistas mineiros responderam ao questionário (20 mineiros contra 12 paulistas), mas ao mesmo tempo, temos uma percepção de que as grandes organizações de supermercados estão abrindo mais lojas de vizinhança em São Paulo, o que poderia estar causando um encolhimento no setor atacadista da região”, disse, ponderando que ainda não há estudos concretos sobre isso.

Em relação às regiões, o Sudeste seguiu na liderança, concentrando 40% do faturamento do setor. Atrás vieram o Nordeste, com 25%; o Sul, com 16%; o Centro-Oeste, com 10%; e o Norte com 9%.

De acordo com o presidente da Abad, Emerson Destro, apesar do crescimento modesto em relação a 2017, os números do ano passado são considerados positivos. O motivo, segundo ele, está nas duas quedas consecutivas observadas em 2015 e 2016.

“A estabilidade é favorável, porque conseguimos reverter a curva e já não estamos mais com números negativos. Há, inclusive, empresas, principalmente as regionais de pequeno e médio porte, crescendo acima da média, fazendo a diferença no mercado nacional”, avaliou.

Diante deste cenário, segundo ele, empresários já começam a retomar projetos e ideias com expectativas favoráveis para o futuro. A começar por 2019, quando, de acordo com ele, o Ranking deste exercício indica a aposta de crescimento no faturamento deste ano para mais de 90% dos participantes. O otimismo também domina as expectativas de aumento de volume e na rentabilidade.

“Embora nossas expectativas de crescimento não tenham se realizado em 2018, acreditamos que este exercício trará um cenário mais favorável que impulsione a retomada econômica de vez. Se o governo conseguir dar andamento às medidas mais urgentes para o País, como a Nova Previdência e a reforma tributária, certamente a resposta dos investidores e dos setores produtivos virão”, apostou.

Consolidação – Ao todo, 666 empresas responderam ao questionário do ranking neste ano, somando R$ 88 bilhões em faturamento ou R$ 110 bilhões a preço de varejo. Ainda conforme o professor Barizzelli, os números indicam a consolidação das empresas de médio e pequeno porte no País.

De acordo com ele, a tendência que vem sendo observada nos últimos seis anos também indica que cresce a regionalização dos negócios no setor atacadista.

“Esta edição do levantamento mostrou, por exemplo, que enquanto as empresas de maior faturamento e atuação nacional tiveram incremento de 2,8% em 2018 sobre o ano anterior, as de porte menor, com atuação regional, cresceram entre 7,8% e 8,4% no mesmo tipo de comparação”, detalhou.

Redes mineiras estão entre as dez maiores do País

Quatro empresas mineiras apareceram entre as dez maiores redes nacionais de distribuição e entrega do Ranking Abad/Nielsen edição 2019 – ano base 2018.

Mais uma vez, a Martins Comércio e Serviços de Distribuição, com sede em Uberlândia, no Triângulo, apareceu em segundo lugar, ficando atrás somente da paulista Makro Atacadista S/A. Também apareceram entre as Top 20: Tambasa, Apoio Mineiro, Villefort.

O ranking leva em consideração a contribuição de cada empresa para o faturamento do setor. Em 2018 a pesquisa contou com a participação de 666 atacadistas e distribuidores de todo o Brasil.

Somente o Makro faturou R$ 6,935 bilhões no ano passado, um resultado cerca de 2% menor ao faturamento do exercício anterior, quando o montante chegou a R$ 7,075 bilhões. Entre as mineiras, o Grupo Martins contabilizou R$ 4,9 bilhões em 2018, representando também uma queda de 1,1% dos R$ 4,954 bilhões de 2017. Com o resultado, a empresa manteve a segunda posição no ranking nacional das maiores atacadistas do País.

Logo em seguida apareceu a Tecidos e Armarinhos Miguel Bartolomeu S/A (Tambasa) com resultado de R$ 3,087 bilhões no ano passado. O resultado superou em 13,1% os números de 2017 (R$ 2,732 bilhões) e a empresa ficou na terceira posição nacional.

A próxima mineira a constar na lista foi o grupo Super Nosso que controla as bandeiras Super Nosso, Apoio Mineiro e a distribuidora especializada DecMinas, cujo faturamento avançou 1,9% entre os exercícios. O grupo saiu de um resultado de R$ 1,628 bilhão em 2017 para R$ 1,659 bilhão no ano passado. Com o resultado, o grupo manteve o quinto lugar no levantamento.

O Villefort também viu seu faturamento avançar, o que o fez aparecer em décimo lugar no Ranking Abad 2019. A empresa faturou R$ 1,309 bilhão no exercício passado, 8,5% a mais que um ano antes (R$ 1,206 bilhão).

Além disso, outras quatro empresas mineiras se destacaram quando considerados os 20 maiores atacadistas e distribuidores do País, conforme o Ranking. Foram elas: Grupo Vila Nova, Bahamas Mix, Tonin e Fortminas.

  • A repórter viajou a convite da Abad