Crédito: Alisson J. Silva/Arquivo DC

O município de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), vai receber a nova fábrica de motores GSE Turbo da Fiat Chrysler Automobiles (FCA). O anúncio foi feito ontem pelo presidente/COO do grupo para a América Latina, Antonio Filosa, durante solenidade realizada no Polo Automotivo Fiat.

A FCA e seus fornecedores vão investir R$ 500 milhões para instalar a nova unidade de motores e para dotar os novos propulsores de capacidade flex, operando simultaneamente com etanol e gasolina, o que aumenta de R$ 8 bilhões para R$ 8,5 bilhões os aportes previstos para essa planta até 2024. Essa será a primeira fábrica de motores turbos da Fiat no Brasil.

O investimento foi disputado entre o mercado mineiro e o chinês, mas Minas Gerais acabou conquistando a fábrica, que vai gerar 300 empregos diretos e outros 900 indiretos. Filosa afirmou que os bons resultados da planta mineira e a qualidade da mão de obra no Estado foram determinantes para essa escolha.

“A decisão aconteceu quando eu convenci nosso presidente e nosso CEO global de que, apesar de não termos a competitividade em custos da Ásia, temos as melhores pessoas”, disse. A planta será instalada dentro do Polo Automotivo Fiat, em Betim.

A nova família de motores são GSE Turbo de três e quatro cilindros, batizados de T3 e T4, além do E4. Mas, muito mais que uma nova família de motor, a planta traz inovação para a produção automotiva em Minas Gerais. De acordo com o assessor técnico da FCA, Ricardo Dilser, o motor GSE Turbo tem uma performance que chega a ser o dobro de um motor comum.

“O turbo aproveita uma energia que o motor comum perde no caminho pelo escapamento. Quando a gente coloca um turbo no motor ele usa parte desse calor do escapamento e transforma isso em eficiência”, explica.

A capacidade de produção da nova fábrica será de 400 mil motores e transmissões por ano. Isso amplia a capacidade produtiva do Polo Automotivo Fiat, que já fabrica três outras famílias de motores, para 1,3 milhão peças por ano. De acordo com Filosa, a produção dos motores turbos iniciará no fim de 2020. Os novos investimentos ampliam, também, a capacidade de exportação do Polo Automotivo Fiat, que já tem contratado o embarque de mais de 400 mil motores até 2022. O destino inclui vários mercados, principalmente o europeu.

O prefeito de Betim, Vittorio Medioli, comemorou a chegada da fábrica na cidade.

“Tivemos uma queda de receita pública brusca nos últimos anos devido ao recuo da atividade industrial e precisamos repor isso. Essa fábrica chega para agregar e devolver parte dos empregos perdidos nos últimos anos. Além disso, é uma marca importante para o município: estamos falando de uma fábrica com tecnologia avançada e daqui podem sair para o mundo muitos produtos com a marca ‘made in Betim’”, disse.

O investimento de R$ 500 mil no primeiro módulo da fábrica de motores turbos também ampliou o investimento total previsto pela FCA na planta de Betim até 2024, passando de R$ 8 bilhões para R$ 8,5 bilhões. O aporte será investido na ampliação da produção da marca que, só na fábrica de Betim, fará 15 lançamentos, entre novos modelos, atualizações de veículos em linha e séries especiais.

Entre os novos modelos, dois marcam a entrada da Fiat no segmento de SUVs, que é o que mais cresce no mercado brasileiro. “Serão veículos que vão chamar a atenção pelo design, desempenho, tecnologia embarcada e nível de conectividade”, destaca Filosa.

Para o presidente, o governo do Estado contribuiu para trazer a fábrica para Betim. De acordo com a Fiat, não houve incentivos fiscais nessa negociação, mas o governo fez acordos importantes, como planos de cooperação para um amplo programa voltado à educação e capacitação em Engenharia Automotiva.

Ainda de acordo o presidente/COO do grupo para a América Latina, trata-se de programas de desenvolvimento de competências, inicialmente, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e na Pontifícia Universidade Católica (PUC). O objetivo é estreitar os laços da FCA com a comunidade acadêmica e ajudar a qualificar as novas gerações de engenheiros e técnicos para as evoluções na indústria automotiva.

“Essa é uma contrapartida técnica para o Estado, mas também é bom para a Fiat, pois precisamos desses profissionais qualificados”, afirmou.

IPVA – Outra ação do governo foi a cooperação técnica entre a FCA e a Gasmig para a promoção e incentivo ao uso do GNV e biometano como combustível veicular. Os veículos novos, fabricados em Minas Gerais, cujo motor de propulsão seja movido a gás natural, terão benefícios especiais, como a isenção do pagamento de IPVA. O termo de cooperação técnica foi assinado, ontem, pelo governador do Estado, Romeu Zema, durante solenidade no Polo Automotivo Fiat.

O acordo é importante para a Fiat, que tem em seu portfólio o Grand Siena GNV, veículo que sai de fábrica predisposto para a utilização do gás natural como combustível. “Já temos um veículo com motor a gás e esperamos que esse benefício gera aumento de demanda”, destacou Filosa.

FICHA TÉCNICA

Novos motores combinam mais desempenho com menor consumo. Suas principais características são:

• Bloco de alumínio com alta rigidez estrutural;
• Câmara de combustão com 4 válvulas por cilindro, alinhado com a exigência do sistema turboalimentado;
• Injeção direta de combustível;
• Sistema MultiAir de última geração, com controle eletrônico das válvulas de admissão;
• Coletor de descarga integrado ao cabeçote;
• Sistema de arrefecimento misto água/ar integrado no coletor de admissão para refrigerar o ar aspirado;
• Bomba de óleo a cilindrada variável;
• Turbo controlado eletronicamente.