Guerra comercial entre chineses e americanos acabou favorecendo exportações brasileiras de soja - Crédito: Stringer/ Reuters

Brasília – O Brasil está “preparado” caso a China retire tarifas sobre a soja norte-americana, disse o ministro da Agricultura brasileiro, Blairo Maggi, em referência a um eventual movimento chinês em meio a uma trégua na guerra comercial com os Estados Unidos (EUA).


“Está absolutamente preparado. A retirada do imposto lá pela China para a soja americana não vai influenciar nada. O mercado vai voltar ao patamar que estava antes ou muito próximo”, disse Maggi a jornalistas, na sexta-feira (14), em conferência de imprensa para fazer uma balanço de sua gestão.


Com a tarifa chinesa de 25% na soja dos EUA durante o segundo semestre, o Brasil pôde embarcar volumes recordes de mais de 80 milhões de toneladas de soja este ano, principalmente para a China, maior importador global.


Segundo o ministro, se a China remover as tarifas, os preços na referência global da bolsa de Chicago e no Brasil poderiam ficar mais próximos, resultando em maior previsibilidade para o mercado de soja, o que beneficiaria os produtores brasileiros, que estão perto de iniciar a colheita de uma nova safra recorde.


Com a guerra comercial, os prêmios pagos pela soja brasileira em relação a Chicago dispararam para máximas históricas neste ano, beneficiando o setor no País.


Apesar das tarifas ainda em vigor, os chineses voltaram ao mercado dos EUA, com registro de importantes negócios com soja norte-americana nesta semana, em momento em que os estoques brasileiros estão praticamente esgotados.


O governo dos EUA confirmou mais de 1,4 milhão de toneladas de soja vendida à China.

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Frangos e suínos – Maggi disse ainda que, a qualquer momento, a China poderia permitir exportações de mais unidades brasileiras de carne suína e de frango, eventualmente antes do final do ano, após uma visita técnica chinesa que inspecionou fábricas brasileiras no mês passado.


“Esperamos que, a qualquer momento, algumas unidades possam ser permitidas (de exportar). Estamos esperando que, até o final do ano, a China possa aprovar alguma coisa nessa área”, disse Maggi.


Ele afirmou que 79 plantas pediram permissão para exportar para a China, levantando a possibilidade de que o Brasil poderia dobrar o número de unidades que exportam carnes de frango e suína para a China se as permissões forem concedidas.


Maggi contou que pediu à futura ministra da Agricultura de Bolsonaro, Tereza Cristina, que mantenha a presença do Brasil em mercados estrangeiros e faça uma viagem para visitar os países árabes e a China logo após assumir sua posição. (Reuters)