Lançado em agosto de 2016 programa já transportou 37.467 - passageiros em 51 cidades - Crédito: Divulgação

O anúncio da descontinuidade do Voe Minas Gerais, Projeto de Integração Regional – Modal Aéreo, a partir de 30 de junho, desagradou empresários e representantes políticos dos municípios envolvidos. A realização dos voos semanais é considerada fundamental para movimentar a economia das cidades, principalmente, na região do Mucuri e Jequitinhonha. Ontem, foi realizada audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para discutir o assunto. Representantes dos municípios pedem, ao governo de Minas, a manutenção do programa por mais seis meses e estão em busca de soluções para manter os voos.

A audiência pública foi realizada a pedido do deputado Gustavo Santana (PL). Segundo Santana, a realização dos voos é importante para os municípios, principalmente de regiões onde o acesso a Belo Horizonte é mais difícil e a economia precisa de incentivos para desenvolver, como as regiões do Jequitinhonha e Mucuri. Ele explica que os voos são fundamentais para a atração de investimentos, participação em feiras e precisam ser mantidos. Entre as principais cidades afetadas com a suspensão está Teófilo Otoni, no Mucuri, que mantinha uma média de ocupação em torno de 80% nos voos.

Ainda segundo Santana, em Teófilo Otoni, está sendo criado um fundo para compensar a empresa operadora caso a ocupação fique abaixo do esperado. A ação vem sendo desenvolvida pela prefeitura local e de municípios próximos, entidades empresariais de diversos setores e órgãos públicos. Por meio do fundo, poderiam ser cobertos possíveis prejuízos de voos com taxas de ocupação inferiores a 70%.

Prorrogação – Durante a audiência também foi solicitado ao governo do Estado que os voos sejam operados por mais seis meses, período considerado essencial para a criação de alternativas para custear a manutenção dos voos.

“Sabemos que Minas Gerais está passando por uma crise, mas não podem ocorrer corte de gastos em projetos que estão funcionando e que levam desenvolvimento econômico para regiões tão esquecidas como o Jequitinhonha e Mucuri. Os voos, realizados dois dias na semana e somando quatro viagens, operam com 80% da capacidade ocupadas. É uma demanda grande que traz desenvolvimento para a região e atrai negócios. Sem os voos, a economia regional será muito afetada. Para se ter ideia, a viagem de Teófilo Otoni a Belo Horizonte, de carro, e pela BR-381, conhecida como a rodovia da morte, não dura menos de 10 horas”, explicou.

Em nota, a Codemge explicou que em função da crise, o subsídio para os voos será cortado, mas existe a possibilidade das rotas serem operadas pela iniciativa privada.

“O Voe Minas será descontinuado a partir de 30 de junho de 2019. A nova administração tem avaliado seus projetos em andamento, buscando melhorias e o adequado atendimento ao povo mineiro, à luz da realidade financeira atual do Estado. A Codemge está em tratativas com operadores privados e entidades locais interessadas em continuar com rotas de alta procura. O processo está em andamento e demanda formalização”.

Ainda conforme a nota da Codemge, o valor do subsídio para operação do Voe Minas Gerais, de 2016 a 2019, foi de R$ 18 milhões. Em abril deste ano, foi iniciada uma redução programada de rotas, em função da baixa ocupação nos voos, com a desativação de oito municípios.

Nove cidades com maior taxa de ocupação permaneceram sendo atendidas na malha do projeto: Araçuaí, Belo Horizonte, Caratinga, Diamantina, Governador Valadares, Ipatinga, Manhuaçu, Patos de Minas e Teófilo Otoni. Com a desativação do Voe Minas Gerais ao final de junho, essas rotas também serão descontinuadas.

Programa – O Voe Minas foi lançado em agosto de 2016. O projeto oferece voos entre Belo Horizonte e cidades do interior do Estado com o objetivo de fomentar os negócios regionais, desenvolver o turismo e permitir acesso rápido a eventos e serviços.

Desde o lançamento até o momento, foram realizados 9.761 voos e transportados 37.467 passageiros. Entre municípios atendidos nos voos regulares e fretamentos, foram mais de 51 cidades em quase três anos de projeto. O preço das passagens varia de R$ 120 a R$ 770. As rotas mais procuradas são Teófilo Otoni, Caratinga e Patos de Minas.