A cobrança de taxas mais baixas que as praticadas pelos bancos é possibilitada pela redução dos custos devido ao uso da tecnologia - Pixabay

As fintechs, empresas que utilizam tecnologia para prestar serviços financeiros de forma mais prática e com custo menor, vêm ganhando cada vez mais espaço. Inicialmente, o descontentamento com o serviço prestado pelo sistema tradicional, como bancos, impulsionou o setor. Mas, segundo o diretor do Comitê de Fintechs da Associação Brasileira de Startups (ABStartup), Bruno Diniz, outros fatores vêm dando força às fintechs, entre eles a variedade e especialização dos serviços, aumento da confiança por parte dos consumidores e avanço da regulamentação.

Com isso, o número de fintechs do Brasil chegou a 453 no final do primeiro semestre de 2018. O número já é 23% maior do que todas as empresas desse tipo registradas até o final de 2017, que eram 369. Os dados são do Radar FintechLab – plataforma que conecta o ecossistema nacional de fintechs.

E, na avaliação de Diniz, ainda há bastante espaço para crescer. Segundo ele, no Brasil, a regulamentação vem avançando e possibilitando maior abertura a novos entrantes no mercado financeiro. “Cada vez há mais regulamentações para que novas soluções sejam implantadas, democratizando o acesso a grupos financeiros”, resume. Mas ele pondera que, para empreender na área, é necessário ter conhecimento sobre o mercado financeiro e seus mecanismos.

Como exemplo do avanço da legislação ele cita que ano passado foi regulamentado o equity crowdfunding, que possibilita o investimento coletivo em startups. Este ano foi a vez de regras para os empréstimos on-line.

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Outro fator que vem contribuindo para o avanço das fintechs é a especialização dos serviços prestados, com alguns voltados a nichos bem específicos e que muitas vezes não recebem a devida atenção do sistema tradicional.

Ainda segundo Diniz, o brasileiro costuma estar aberto às inovações e não resiste às fintechs. E, com a maior divulgação dos serviços dessas empresas, aumenta a confiança e a utilização dos serviços. Outro diferencial é a cobrança de taxas mais baixas – em alguns casos não há qualquer taxa – que as praticadas pelos bancos, o que é possibilitado pela redução dos custos devido ao uso da tecnologia.

Empresário do setor, o sócio-fundador da BizCapital, Francisco Reis Ferreira, avalia que o mercado evoluiu muito do ano passado até agora. “Muita gente procurava o serviço, mas tinha receio. Agora já somos uma empresa maior, com muitos clientes. As pessoas estão mais abertas ao negócio e confiantes. São pessoas insatisfeitas com o serviço dos bancos e que vêm as fintechs com bons olhos”, diz.

Ferreira explica que a BizCapital atua no setor de empréstimos e é voltada ao pequeno empreendedor. Com sede no Rio de Janeiro, a fintech atende a clientes no País todo, com serviço simplificado e totalmente digital. São oferecidos empréstimos entre R$ 5 mil e R$ 100 mil por cliente, sendo que a maior parte das operações varia entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.

Setores – O Radar FintechLab apontou também que, em termos percentuais, os maiores crescimentos foram registrados por empresas dos setores de cryptocurrency (moedas criptografadas), com 86%, passando de 15 para 28 iniciativas; câmbio e remessas, com 55%, saltando de 9 para 14 empresas; e seguros, com 37%, indo de 27 para 37 projetos.