Fios de ovos deixam de ser figurantes para tornarem-se protagonistas no Natal - Foto: Tati Motta

Esquecidos ao longo do ano, os fios de ovos deixam de ser meros figurantes para tornarem-se protagonistas no Natal. O motivo é simples: essa tradicional receita da culinária portuguesa, feita basicamente com ovos e açúcar, combina com quase tudo na ceia, podendo servir de decoração tanto para as sobremesas mais requintadas quanto para os pratos salgados, além de acompanhar perus e pernis.

Por causa da alta demanda pela iguaria nesta época, algumas empresas chegam a contratar mão de obra temporária para fazer os fios de ovos. É o caso da Campos de Minas, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

De acordo com o sócio da indústria, João Lucas Rodrigues, a estimativa é de que a Campos de Minas venda cerca de 1.100 kg de fios de ovos para o Natal deste ano, o que corresponde a aproximadamente R$ 45 mil de faturamento. Na comparação com o Natal 2017, quando a empresa vendeu apenas 990 kg do produto, a estimativa de crescimento é de 7% a 10%. Nos demais meses do ano a produção não passa dos 100kg.

Rodrigues explica que os fios de ovos começaram a fazer parte do casting de vendas há 11 anos de uma forma bastante improvável. Sua mãe, que também está a frente da Campos de Minas, trabalhava em uma empresa que fazia a delicada iguaria. Porém, quando o local fechou as portas, a antiga clientela começou ir atrás dela, na busca pelo produto. “Minha mãe, em uma atitude corajosa e empreendedora, falou que não produzia, mas que poderia começar a trabalhar com os fios. Foi aí que tudo começou, e hoje eles são um dos nossos carros-chefes junto aos croissants e massas folhadas, respondendo por 5% do nosso faturamento mensal em meses comuns, ao passo que no final do ano chegam a corresponder por 20% a 25% da nossa receita”, afirma o empresário, acrescentando que atualmente a empresa fornece para mais de 150 buffets em todo o Estado e grandes redes de supermercado.

Processo artesanal – Segundo Rodrigues, o processo de produção dos fios de ovos na Campos de Minas é bastante artesanal, sem uso de maquinário. Em média, com um dia de trabalho, cinco colaboradores conseguem produzir, no máximo, entre 100kg e 150kg. “Nos fios de ovos utiliza-se apenas a gema, por isso é necessário separá-la da clara. Quanto mais amarela for esta gema, mais bonitos são os fios de ovos”, explica o empresário acrescentando que para produzir 7kg de fios são necessários 360 ovos.

O próximo passo é colocar, em uma panela, água, açúcar e essência de baunilha, misturar e deixar ferver em fogo alto. Assim que abrir fervura, chega o momento de adicionar as gemas. Para isso é possível utilizar um funil próprio para fios de ovos.

Por fim, é importante colocar a mistura em fogo médio e fazer movimentos circulares (e rapidamente) com o funil sobre a calda na panela. “Quanto mais rápidos forem esses movimentos, mais finos os fios ficarão”, completa Rodrigues. Assim que os fios estiverem firmes, é preciso retirá-los com o auxílio de uma escumadeira e colocá-los sobre uma peneira para escorrer o excesso da calda. Rodrigues afirma que uma das vantagens do processo artesanal é que devido ao trabalho humano, não há chances de serem feitos fios com ovos estragados, o que garante qualidade e sabor ao consumidor final.

Além de serem bastante demandados nas delícias de Natal, os fios de ovos também são usados para confeitar tortas de aniversário e como recheio agridoce. “Na Campos de Minas, por exemplo, oferecemos, um salgado agridoce preparado com massa folhada, bacon e fios de ovos, muito procurada por nossos clientes.”

Linha do tempo – Inaugurada em abril de 1999, a Campos de Minas chegou ao mercado mineiro produzindo derivados do milho. Oito anos depois, em 2007, a empresa passou a atuar em outras frentes de negócios, com a produção de croissants, massas folhadas, fios de ovos e pães de queijo. As duas primeiras são receitas trazidas da Suíça, país do qual foi importada a tecnologia e maquinário para Minas Gerais.

Atualmente, a empresa, com sede em Nova Lima (RMBH), fornece para mais de 150 buffets em Minas Gerais, além de grandes redes de supermercado.

À frente do negócio está o magistrado aposentado Gabriel de Freitas Mendes e os empresários João Lucas Rodrigues e Rolângela Teixeira. Esta última, antes mesmo da abertura da empresa, já atendia grandes redes varejistas vendendo os produtos que hoje são os carros-chefes da Campos de Minas. Nesses locais, Rolângela fez vários contatos.

Logo que entrou na sociedade, esse networking foi de extrema valia para que a indústria pudesse conquistar público consumidor. “No começo, vendíamos apenas para os supermercados. Através deles, percebemos que os consumidores finais começaram a ter boa aceitação com nossos produtos e a partir daí, começamos a expandir o atendimento para os buffets”, conta Teixeira.

De acordo com a empresária, um dos maiores diferenciais da marca reside no fato da massa folhada ser bastante aceita pelo mercado consumidor. “Fizemos vários testes para chegar em uma massa ideal e crocante. Podemos destacar, também, o nosso preço, que não está entre os mais exorbitantes no casting dos produtos de primeira linha. Além disso, procuramos ter um atendimento just in time, ou seja, cumprir com excelência os prazos de entrega.

Uma das metas da Campos de Minas para 2019 é intensificar as vendas de pães de queijo, cuja capacidade de produção atual é de 340kg/dia e, com isso, fortalecer ainda mais a marca. A empresa trabalha com a versão recheada com frango, além da tradicional, todas feitas com o autêntico queijo Minas. “Ele está com um preço competitivo e extremamente gostoso”, finaliza Rolângela.