Para Flávio Bolsanaro, objetivo é afetar o governo do pai - Foto: REUTERS/Adriano Machado

Rio de Janeiro – O deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) empregou em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro a mãe e a mulher de um ex-policial acusado de liderar uma organização criminosa com atuação de milícia que está foragido após ter prisão decretada em uma operação policial deflagrada ontem.

Foram assessoras do parlamentar até o fim do ano passado a mãe e a mulher de Adriano Magalhães da Nóbrega, o “capitão Adriano”, apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) como um dos líderes de uma milícia responsável por diversos crimes e suspeita de envolvimento na morte da vereadora Marielle Franco.

A informação foi revelada ontem pelo jornal “O Globo” e confirmada pela assessoria do próprio senador eleito.

Flávio Bolsonaro afirmou, em resposta, que é alvo de uma “campanha difamatória” com o objetivo de afetar o governo do pai, o presidente Jair Bolsonaro, e que não pode ser responsabilizado por atos que disse desconhecer.

Segundo o senador eleito, a mãe de Nóbrega foi contratada por indicação de seu ex-assessor Fabrício Queiroz, que no fim do ano passado teve movimentações financeiras suspeitas apontadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

De acordo com o jornal “O Globo”, Queiroz é amigo do “capitão Adriano”, e a mãe do suposto miliciano está entre as servidoras do gabinete de Flávio Bolsonaro que fizeram repasses para a conta de Queiroz.

Pesquisa no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro revela que as duas assessoras parlamentares do gabinete de Flávio Bolsonaro apontadas como a mãe e a mulher de Nóbrega foram exoneradas em novembro do ano passado.

“A funcionária que aparece no relatório do Coaf foi contratada por indicação do ex-assessor Fabrício Queiroz, que era quem supervisionava seu trabalho. Não posso ser responsabilizado por atos que desconheço, só agora revelados com informações desse órgão», afirmou Flávio Bolsonaro em nota.

“Continuo a ser vítima de uma campanha difamatória com objetivo de atingir o governo de Jair Bolsonaro”, acrescentou.

A defesa de Queiroz afirmou, em nota, que “repudia veementemente qualquer tentativa espúria de vincular seu nome a milícia”.

Marielle – O “capitão Adriano” teve mandado de prisão expedido pela Justiça, a pedido do MPRJ, no âmbito de operação deflagrada nesta terça-feira com apoio da Polícia Civil para prender no total 13 suspeitos de envolvimento em atividades criminosas.

De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, a mesma organização criminosa é suspeita do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) em março do ano passado.

A ação de ontem investiga crimes como grilagem de terras, mortes e exploração de serviços como transporte, televisão e venda de gás na zona oeste da capital fluminense, uma das áreas de atuação da vereadora.

Marielle lutava contra a grilagem de terras e em defesa de minorias e quilombolas que lutavam contra a especulação imobiliária na região.
A promotora do MPRJ Simone Sibílio disse ontem, ao comentar a prisão de ao menos cinco milicianos ligados ao grupo de Nóbrega, que Flávio

Bolsonaro não é investigado no caso. Segundo ela, o fato de familiares de Nóbrega terem trabalhado para o senador eleito na Alerj “não tem relevância nesse momento“ para as investigações.

Depósitos – A suspeita de ligação de ex-assessoras de Flávio Bolsonaro com a milícia se soma à abertura de investigação na esfera cível contra ele pela Justiça do Rio por suspeita de movimentação atípica detectada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo reportagens do Jornal Nacional, da TV Globo, o Coaf identificou 48 depósitos de R$ 2 mil entre junho e julho de 2017 e um pagamento de pouco mais de R$ 1 milhão de um título bancário da Caixa Econômica Federal na conta de Flávio Bolsonaro, então deputado estadual.

Em resposta, o senador eleito afirmou em entrevistas no fim de semana que os depósitos e o pagamento foram referentes a compra e venda de um imóvel no Rio de Janeiro.

Além da movimentação na conta do próprio senador, o jornal O Globo destacou no fim de semana que o ex-assessor dele Fabrício Queiroz chegou a movimentar em sua conta, além de R$ 1,2 milhão divulgados anteriormente, outros R$ 5,8 milhões, totalizando R$ 7 milhões em três anos.

Procurado para comentar as denúncias envolvendo o filho do presidente da República, o presidente em exercício, general da reserva Hamilton Mourão, afirmou ontem que o melhor é “aguardar a conclusão das investigações”.

Mourão participou de um evento militar no Rio de Janerio e não fez discurso nem conversou com a imprensa. No último domingo, Mourão disse que o caso de Flávio “não tem nada a ver com o governo”.