Com 5,2 mi de cabeças, MG tem 4º maior rebanho de suínos do País - Créditos: Nelson Morés

A confirmação de focos de peste suína clássica nos estados do Piauí e Ceará deixou o setor de suídeos de Minas Gerais em alerta.

O Estado, que possui o Certificado de Área Livre da Peste Suína Clássica, concedido pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) desde 2016, adota uma série de cuidados rigorosos para manter o rebanho saudável e reduzir os riscos de a doença chegar às granjas.

Toda atenção é considerada fundamental para manutenção da área livre da enfermidade e a comercialização dos produtos no mercado externo.

Minas Gerais possui o quarto maior rebanho de suínos do País, com 5,2 milhões de cabeças, o que corresponde a 12,7% de todo o plantel brasileiro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A peste suína clássica é uma virose infecciosa. A doença no animal é caracterizada por febre alta, prostração, hemorragia, anorexia, depressão, dificuldade de locomoção, manchas avermelhadas pelo corpo e conjuntivite. É de rápida propagação e alta mortalidade. A transmissão ocorre pelo contato direto com animais doentes, pelo contato indireto nos piquetes e utensílios e pela ingestão de água e alimentos contaminados.

De acordo com a fiscal agropecuária médica veterinária e coordenadora do Programa Estadual de Sanidade Suídea do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Júnia Mafra, nenhum caso da doença foi registrado em Minas Gerais e o Estado segue desenvolvendo ações para manter a proteção.

Júnia explica que, desde 2001, Minas é considerado livre de peste suína clássica pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e, em 2016, recebeu o certificado pela OIE.

Minas Gerais está inserido em uma área chamada Zona Livre de Peste Suína Clássica. Já os estados onde aconteceram os focos da doença, no caso o Ceará e o Piauí, estão em área denominada Zona Não Livre da Peste Suína Clássica.

Vigilância rigorosa – Por isso, segundo Júnia, cuidados importantes devem ser tomados.

“Primeiramente, o mais importante é que não entrem animais e produtos suínos desses estados em Minas Gerais. Além disso, o IMA tem um trabalho de vigilância rigoroso”, explicou.

O IMA realiza dois tipos de vigilância: a ativa e a passiva. Na ativa, ao longo do ano, os profissionais do instituto vão até os criatórios e granjas e fazem a atualização cadastral, verificam o uso de medicamentos, vacinas e as condições sanitárias dos suínos. Também é realizado exame de sangue nos suínos reprodutores que vão para o abate.

Caso ocorra notificação do aumento da mortalidade de acordo com a fase de produção ou suspeita de sintomas da peste suína clássica, os fiscais do IMA fazem a fiscalização passiva, que consiste na visitação da propriedade, avaliação e monitoramento para confirmar ou não a doença.

Também são feitos, por parte do IMA, o controle e manejo da fauna exótica, onde são avaliados os animais de vida livre, como os javalis, por exemplo. No Estado, são fiscalizadas, a cada seis meses, as 30 granjas de reprodutores presentes no Estado. Também é feito o controle na movimentação de animais, através da Guia de Trânsito Animal (GTA).

“É importante que o suinocultor e os profissionais que participam do processo de produção de suínos em Minas Gerais notifiquem ao IMA qualquer caso de suspeita da doença. O IMA tem um grupo específico de veterinários que vão atender a essas suspeitas e investigar se procede ou não. Também temos um grupo que atende as emergências sanitárias, evitando que haja a transmissão de doenças”.

Ainda segundo Júnia, o trabalho conjunto entre as entidades estaduais e o setor produtivo é fundamental para que a doença não chegue ao Estado, o que causaria diversos prejuízos.

“A certificação de área livre da peste suína clássica é importante para manter os mercados com os quais já comercializamos e para abrir novos. Por isso, o trabalho deve ser conjunto”, explicou.

Fundo amplia segurança sanitária na região

Outra iniciativa importante para a manutenção dos certificados e para garantir a segurança sanitária criada no Estado é o Fundo de Defesa Sanitária do Estado de Minas Gerais (Fundesa).

O fundo privado foi instituído há cerca de um ano e entrou em funcionamento efetivo em janeiro de 2019. De acordo com o superintendente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Altino Rodrigues Neto, o fundo é essencial para garantir a sanidade animal.

“Hoje, cada vez mais, os organismos internacionais avaliam o sistema de segurança sanitária de um país pelo envolvimento da sociedade como um todo. Em todas as partes do mundo, os governos têm mais dificuldade em garantir a agilidade para atender os problemas sanitários. Então, a criação dos fundos privados é uma forma de garantir mais tranquilidade ao sistema produtivo pela agilidade proporcionada em caso de aparecimento de focos de doenças que o mundo já erradicou ou colocam barreiras para importações ou problemas de saúde pública”, explicou Altino.

Ainda segundo o representante da Faemg, nos casos da peste suína clássica registrados no Piauí e Ceará, o peso da doença é pequeno para a localidade, uma vez que a produção não é muito representativa, mas para as principais regiões produtoras, como Minas Gerais e o Sul do País, o impacto poderia ser grande caso não houvesse o fundo privado de defesa sanitária.

“Após a confirmação da doença, se não fosse a estrutura do fundo privado, até que se comunicasse aos países importadores que a enfermidade foi localizada a uma distância de mais de 1,5 mil quilômetros dos principais estados produtores, os países compradores já teriam suspendido as importações. Se não tivéssemos os fundos privados, estaríamos colocando em risco toda a nossa suinocultura. Com este sistema de defesa, em qualquer episódio, conseguimos controlar e tomar as providências imediatamente, o que evita perdas”, disse. (MV)