Conhecido por suas águas minerais, o Sul de Minas ganha ainda mais destaque em nível nacional e internacional a partir da descoberta da origem milenar de suas fontes hidrominerais. A informação de que as águas da região provêm de chuvas antigas de mais de 25 mil anos atrás foi divulgada, ontem, na sede da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge), na região Leste da Capital. A descoberta, que faz parte de estudo encomendado pela Codemge, reafirma a importância de proteção das águas na região e pode atrair ainda mais turistas para as cidades da Bacia do Rio Verde.

A pesquisa foi desenvolvida durante 11 meses e teve a participação de 35 pesquisadores de diversas instituições em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. O Projeto Circuito das Águas recebeu cerca de R$ 2 milhões de investimento. De acordo com o coordenador-geral da pesquisa e pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Antônio Carlos Pedrosa Soares, a principal conclusão do estudo é sobre a antiga origem das fontes hidrominerais da Bacia do Rio Verde, que abrange as cidades de Caxambu, Cambuquira, Marimbeiro, Conceição do Rio Verde e Lambari.

“As águas são provenientes de chuvas muito antigas que penetraram no subsolo há mais de 25 mil anos e, hoje, afloram naqueles parques. Elas vêm da Serra da Mantiqueira por caminhos subterrâneos presentes nas rochas e circulam em profundidades de 3 quilômetros a 5 quilômetros”, afirma. Além disso, os gases extraídos dessas águas também são antigos, chegando a idades superiores a 30 mil anos. Para se ter uma dimensão de quão arcaicas são essas fontes é só pensar que elas são mais antigas que a Luzia, a mulher paleolítica que viveu em Minas Gerais há cerca de 11 mil anos.

“Até então havia a crença de que as águas eram rasas e jovens. O estudo mostra que se tratam de águas especiais, então é preciso cuidado para que elas não se misturem com águas superficiais e percam suas características”, alerta. O pesquisador lembra que a descoberta traz ainda mais responsabilidade para os governos dos municípios e para as comunidades locais em relação à proteção desse recurso.

Parque – Por outro lado, os moradores e empresários das cidades comemoram a valorização do atrativo. “Ouvimos muita comemoração na região: a comunidade está feliz porque isso pode incrementar o turismo. Há quem já esteja pensando na criação de um parque com reconhecimento internacional”, afirma.