O grupo francês Total adquiriu a Zema Petróleo, distribuidora de combustível do Grupo Zema - Divulgação

O número de fusões e aquisições de empresas em Minas Gerais cresceu 40,5% em 2018 no comparativo com 2017, passando de 42 para 59. O avanço desse tipo de operação no Estado ficou bem acima do nacional, que aumentou 2%, de 643 para 658 em igual período. A participação no Estado representou 9% do total do País, percentual maior que o do ano anterior, que foi de 7%. Com isso, Minas fechou o ano em terceiro lugar do Brasil em quantidade desse tipo de transação, ficando atrás de São Paulo – com 47% do total nacional – e Rio de Janeiro, com 10%. As informações são da consultoria e auditoria PricewaterhouseCoopers (PwC).

Sócio da PwC e especialista da área de fusões e aquisições, Rogério Gollo informa que, para 2019, a tendência é de que esse tipo de operação tenha alta tanto no País quanto em Minas, devido a expectativas positivas para a economia. “A definição do cenário eleitoral ajuda, pois já há o esboço da política econômica, o que leva ao aumento das transações”, argumenta.

Além disso, transações que deixaram de ser realizadas em 2018 devido à indefinição do cenário podem ser concluídas neste ano.

Segundo Gollo, o bom desempenho de Minas nas fusões e aquisições se deve a investimentos feitos, nas últimas décadas, na área de serviços atrelada à inovação e tecnologia. A área de tecnologia da informação (TI) foi a que atraiu maior número de operações no Estado, com 34% do total. Também se destacaram os setores de serviços públicos, com 20%; alimentos (17%); mineração (14%); e varejo (14%).

Em Minas, no segmento de TI, a principal operação foi a aquisição, pela rede varejo de eletroeletrônicos e móveis Magazine Luiza, da mineira Softbox, especialista em projetos de TI e consultoria para o mercado de varejo e indústria de bens de consumo. O valor da transação não foi divulgado.

Exemplo de transações em outras áreas envolveu a Algar Telecom, que arrematou ativos da rede de fibra ótica da Cemig Telecom pelo valor de R$ 77,8 milhões. Outro exemplo foi a aquisição, pelo grupo francês de petróleo Total, da Zema Petróleo, distribuidora de combustível de Minas Gerais do Grupo Zema, sem valores anunciados.

Assim como no Brasil, em Minas os investidores nacionais estiveram à frente dos estrangeiros nas fusões e aquisições em 2018. No Estado, foram 41 operações por investidores do próprio país, com alta de 41,4% em relação a 2017 (29). As transações por estrangeiros foram 18, com alta de 28% em relação ao ano anterior (14). Os principais investidores estrangeiros no Estado são Canadá, Estados Unidos e França.

No País, em 2018, investidores nacionais somaram 389 operações, com alta de 11% em relação a 2017 (349). Já os investidores estrangeiros retraíram 8%, com 231 transações realizadas em 2018, frente às 252 do ano anterior.

Os principais investidores são Estados Unidos, França e Canadá.
Gollo explica que o investidor nacional está mais acostumado a atuar no ciclo eleitoral brasileiro. Além disso, encontrou juros menores de financiamentos, o que reduziu o custo das operações, e o cenário de expectativa de crescimento.

Adiamento – Mesmo com a elevação de 2% no número de fusões e aquisições no País, o valor envolvido nas operações mostrou retração de um ano para o outro. Em 2018 o total foi de US$ 36,8 bilhões, sendo que ano anterior foi de R$ 48,9 bilhões, ou seja, foram US$ 12,1 bilhões a menos.

Gollo pondera que esse valor se refere às operações cujos valores foram divulgados, ou seja, às grandes operações. As pequenas e médias operações não têm valores informados. Segundo ele, a indefinição do cenário eleitoral em 2018 pode ter adiado a decisão de investidores. Das 658 transações, 245 tiveram seu valor anunciado, ou seja, 37% do total.

Das operações com valores anunciados, sete apresentaram valor de compra acima de US$ 1 bilhão, totalizado US$ 13,6 bilhões. A principal delas foi a compra da Embraer pela Boeing Co., no valor de US$ 4,2 bilhões.

Somando 140 operações no País, o setor de TI é o grande destaque nesse tipo de operação, representando 21% do total transacionado. Depois vêm serviços auxiliares; serviços públicos; financeiro e serviços de saúde.