Estado lidera o mercado de geração distribuída, com cerca de 7,1 mil instalações - Foto: Alisson J. Silva

A demanda para ligar projetos de geração distribuída (GD) de energia a partir da fonte fotovoltaica à rede de distribuição da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) crescee de forma significativa neste ano. A combinação de fatores como o elevado índice de incidência de raios solares, a redução de preços de equipamentos usados pelo segmento e o aumento da conta de luz no País nos últimos anos, impulsionou o apetite de empreendedores pela geração de energia de fonte solar.


“A geração distribuída é um marco no País e, nos últimos dois anos, estamos vivendo um crescimento exponencial no setor em Minas”, afirmou o diretor da Cemig Distribuição (Cemig D), Ronaldo Gomes, ontem, durante seminário sobre o tema, na sede da empresa, em Belo Horizonte.


Segundo informações da concessionária, o número de solicitações de pareceres de acesso para microgeração de energia fotovoltaica de 2014 a 2017 somou 6 mil pedidos. No entanto, só em 2018, até setembro, foram 6 mil solicitações. Os pedidos para a minigeração de energia fotovoltaica totalizaram 100 durante todo o ano passado e, até setembro deste exercício, foram feitas 500 solicitações.


“Desde 2012, o Brasil começou a se posicionar em relação à geração distribuída, com o início do marco regulatório (Resolução Normativa nº 482, de abril de 2012). Em três ou quatro anos, o assunto praticamente não evoluiu, mas nos últimos dois anos houve uma ampliação enorme do volume de pedidos, especialmente em Minas, devido às condições favoráveis, como terra disponível com preço interessante e índice de insolação muito produtivo. Isso provocou um boom de demanda no Estado”, afirmou o gerente responsável pelo projeto Transformação GD, Ronaldo de Oliveira.


O gerente explicou que a entrada da China no setor de produção de acessórios para a geração de energia fotovoltaica derrubou o preço de alguns equipamentos, como os painéis solares, mesmo considerando a variação cambial. Além disso, Oliveira lembrou o encarecimento da energia no Brasil nos últimos anos, em função de longos períodos de estiagem e das condições favoráveis do Estado em termos de incidência de raios solares. “Em determinado momento isso entre em um prisma de atratividade e é o que está acontecendo”, disse.


Foi justamente para ir ao encontro do crescimento da demanda, que, em julho deste ano, a Cemig criou uma subsidiária somente para tratar dos negócios do segmento de baixa tensão, a Cemig Geração Distribuída (Cemig GD). A expectativa da estatal é que nos próximos dois anos sejam atraídos entre R$ 600 milhões e R$ 750 milhões em projetos de GD e a meta é implantar 250 mil quilowatts no período.

Liderança – Minas Gerais já lidera o mercado de geração distribuída, com 7,1 mil instalações e uma potência de 112,1 mil quilowatts, números que representam, respectivamente, 20% das instalações e 26% da potência total do Brasil. Conforme já divulgado pela própria estatal, a geração distribuída cresce, em média, 12% ao ano no mundo, enquanto a geração como um todo, cresce 3%.