Governo estadual estima que implantação das 4 linhas do metrô vão custar R$ 12 bilhões - CREDITO:ALISSON J. SILVA/Arquivo DC

O governo de Minas Gerais trabalha para que o metrô de Belo Horizonte seja estadualizado e em seguida privatizado. O processo, no entanto, depende de negociação com a União, uma vez que o trem metropolitano é administrado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). O processo já está em andamento e a expectativa é de que, até o final da gestão do governador Romeu Zema, pelo menos a Linha 1 esteja sob gestão da iniciativa privada.

Já as demais expansões somente ocorrerão após este processo. As informações são do secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Marco Aurélio Barcelos. Durante sabatina na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Barcelos falou sobre este e outros assuntos relacionados à infraestrutura do Estado.

“Não vamos conseguir implementar as quatro linhas nos próximos quatro anos. Primeiro, porque precisaríamos de algo em torno de R$ 12 bilhões para viabilizá-las. Segundo, porque a solução deste imbróglio, que perdura por décadas, passa pela estadualização da gestão”, explicou.

De toda maneira, o secretário garantiu que as tratativas com o governo federal estão avançando e que, em maio, a CBTU foi incluída no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), ganhando prioridade no cenário nacional.

“Estamos trabalhando para que tenhamos finalmente uma proposta responsável e factível para o metrô da capital mineira. Temos feito um trabalho junto a Secretaria Nacional Mobilidade, no Ministério do Desenvolvimento Regional, e também com a Secretaria Especial do PPI. Sabemos que há, por parte do governo Bolsonaro, uma determinação política para a estadualização do metrô, juntamente com uma posterior privatização”, detalhou.

O secretário disse também que estudos preliminares indicaram que somente para a melhoria da linha 1 – a já existente – seriam necessários investimentos da ordem de R$ 4 bilhões. E que o governo mineiro não tem condições de realizá-los. Por isso, a concessão à iniciativa privada seria o caminho não somente para promover estas melhorias como eventuais expansões. “Tudo baseado na sustentabilidade das tarifas”, completou.

Questionado sobre a existência de um projeto de estadualização e privatização do metrô de Belo Horizonte, o Ministério do Desenvolvimento Regional não respondeu até o fechamento desta edição.

Recursos – Por fim, Barcelos lembrou do anúncio do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, em abril, de que Minas Gerais seria contemplada com recursos para o transporte ferroviário, incluindo o metrô da Capital. Conforme ele, são esperados pelos menos R$ 1,3 bilhão referente à indenização da Ferrovia Centro-Atlântica, controlada pela VLI Logística/Vale. Esse dinheiro seria uma contrapartida à antecipação da renovação dos contratos de concessão das ferrovias.

“Precisamos de muito mais do que isso. Mundo afora metrô é um equipamento de capital intensivo. Mas isso não significa que vamos virar as costas. É um problema complexo, que vai precisar de várias frentes e garantimos que, em quatro anos, vamos pavimentar o caminho para resolver de uma vez por todas as condições jurídicas para sua expansão”, concluiu.