Crédito: José Gomercindo/ANPr

Em Minas Gerais, a busca por uma produção de café de alta qualidade é vista como uma das principais ações adotadas pelos cafeicultores para conseguirem agregar valor ao grão e reduzir os impactos da grande variação dos preços pagos pelo café commodity. Como a produção do grão especial é crescente e a demanda também, várias medidas estão em desenvolvimento para fomentar a iniciativa. Além da capacitação, promover a aproximação do mercado comprador e dos cafeicultores é considerado fundamental para manter a rentabilidade no campo.

Uma das saídas para que o produtor garanta maior renda é investir na produção dos grãos especiais, o que tem sido estimulado no Estado. De acordo com o vice-presidente de finanças da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg) e presidente das Comissões de Cafeicultura da Faemg e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Breno Mesquita, cafeicultores mineiros estão em busca da melhor qualidade e o mercado já reconhece a diferença e paga mais pelo café especial.

Um incentivo para que mais produtores ingressem no mercado do grão especial é a Vitrine do Café, projeto que já é desenvolvido pelo Sistema Faemg e que agora passa a reunir produtores e representantes do mercado em dias de degustação. A primeira edição do projeto envolvendo o mercado comprador e os produtores será hoje, em homenagem ao Dia Nacional do Café.

A ideia, segundo Mesquita, é que, a cada 15 dias, produtores apresentem os grãos especiais para representantes de supermercados, cafeterias e demais compradores. O evento será realizado na sede da Faemg e já recebeu várias primeiras amostras.

“O que temos percebido, em todo o Brasil e, principalmente, em Minas Gerais, é a busca incessante pela qualidade do café, o que se tornou sinônimo de preços melhores. Porém, a grande maioria dos produtores não tem acesso ao mercado comprador dos grãos de alta qualidade, e nós, do Sistema Faemg, pensamos em criar um projeto que faça essa aproximação. Com a Vitrine do Café, queremos expor os cafés produzidos nas regiões mineiras e apresentar a bebida preparada para o mercado consumidor. É uma forma de o produtor se sentir valorizado e ter a oportunidade do mercado reconhecer a bebida de qualidade superior”, explicou.

Ainda segundo Mesquita, os produtores que quiserem participar do projeto precisam fazer parte do Programa Café Mais Forte, da Faemg, ou do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Minas). Após entrar em contato com a Faemg, o cafeicultor deverá enviar amostras do café que será servido.

“Queremos que o comprador conheça a história, a família, o sistema de produção e o cafeicultor. Isso é muito importante para reconhecer e estimular os investimentos na melhoria do café”.

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Desafios – Além da dificuldade de acessar mercados, outros problemas afetam a produção de café em Minas Gerais e precisam de atenção. Entre eles estão a necessidade de um seguro rural eficaz e abrangente, a garantia de renda, o custo elevado e a melhoria dos preços no mercado.

Neste ano, devido à bienalidade negativa do café, a expectativa é colher, em Minas Gerais, 26,4 milhões de sacas de 60 quilos do grão, volume que pode retrair 20,7%. Mesmo com a perspectiva de baixa produção, os preços do café estão abaixo dos custos. Enquanto são necessários cerca de R$ 420 para a produção de uma saca, o valor de venda está, em média, em R$ 380.

“O cafeicultor de Minas Gerais tem expandido muito na questão da qualidade e da produtividade, em contrapartida, a renda do produtor só cai. Precisamos fazer alguma coisa. Estamos em um ano de safra baixa e, se nada atrapalhar, a safra do ano que vem será bem maior. Pensando nisso, estamos discutindo com o governo federal a implantação de uma política que gere renda para os produtores, principalmente, para o pequeno. Estamos em fase final de negociações e esperamos conseguir”, disse Mesquita.