Créditos: Adriano Machado - Reuters

Campos do Jordão – O ministro da Economia, Paulo Guedes, expressou confiança no andamento da reforma da Previdência e afastou o diagnóstico de uma “crise política extraordinária”, minimizando ruídos e desentendimentos após a conturbada audiência pública da qual participou na Câmara dos Deputados esta semana.

Em outra frente, o ministro defendeu que o time econômico está empenhado na retomada do reequilíbrio fiscal, pontuando que, em relação à dívida pública, o governo federal espera receber R$ 280 bilhões em retornos neste ano que ajudarão na diminuição dos gastos nessa frente.

O montante inclui R$ 80 bilhões em privatizações, R$ 80 bilhões com devoluções da Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil em instrumentos híbridos de capital e dívida e mais R$ 120 bilhões com pagamento antecipado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao Tesouro, disse Guedes no Fórum Empresarial Lide.

O ministro também avaliou que as lideranças políticas estão a seu lado e querem a reforma da Previdência, incluindo o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“Então eu vou ter medo do que? De tratar com algum desrespeito quem me tratou por mais de 6 horas com muito desrespeito?”, disse ele, em referência ao episódio na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, quando foi chamado de “tchutchuca” pelo deputado Zeca Dirceu (PT-PR).

Bastante aplaudido pela plateia, composta majoritariamente de empresários, Guedes afirmou ter “absoluta tranquilidade” com uma dinâmica maior dos eventos, afirmando que desentendimentos acontecem e são ruídos.

“Minha experiência com a classe política tem sido a melhor possível, superconsciente, superconstrutiva”, disse.

Durante sua fala, ele também defendeu a introdução do regime de capitalização no sistema previdenciário com diminuição de encargos trabalhistas.

O ministro também voltou a dizer que o regime de capitalização não implica o pagamento de um salário menor que o mínimo aos trabalhadores que não conseguirem poupar o suficiente, já que o Congresso pode optar pela instituição de uma camada nocional, que garantirá o mínimo a todos com a introdução de imposto de renda negativo.

Sobre outras mudanças que virão adiante, Guedes afirmou que o choque de energia barata se dará pela quebra do monopólio da distribuição de gás. A expectativa, com isso, é que o preço do gás de cozinha caia pela metade daqui um ano e meio ou dois, disse.

A respeito da reforma tributária, o ministro voltou a enfatizar a estratégia de unificação de tributos e disse que o presidente da Câmara já está dando os primeiros passos para a reforma no futuro.

“Tem que começar a reduzir os impostos, eliminar impostos, simplificar e reduzir. Vamos pegar 3, 4, 5 impostos, vira só um imposto único federal em vez de ficar com 5, 6, 7 rubricas diferentes”, disse.

“Tem que mudar a base de incidência, estamos estudando isso também. Vamos fazer um IVA como ele for, um IVAzinho bem desenhado, para todo mundo bater palma. E vamos namorar outras bases de incidência para mais tarde”, acrescentou. (Reuters)