Ao lado de Manuela D’Ávila, candidata a vice, Haddad lembrou os avanços sociais conquistados no governo de Lula - REUTERS/Rodolfo Buhrer

Curitiba – O PT formalizou ontem o nome de Fernando Haddad para substituir na disputa ao Planalto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial, que voltou a atacar os tribunais por impedirem uma eleição livre. A deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila (PCdoB) será a candidata a vice na coligação.

“Vocês já devem saber que os tribunais proibiram minha candidatura a presidente da República. Na verdade, proibiram o povo brasileiro de votar livremente para mudar a triste realidade do País”, afirmou Lula em carta lida pelo advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, no terreno da vigília petista, em frente à Polícia Federal, em Curitiba, onde o ex-presidente está preso desde abril.

No primeiro pronunciamento como candidato à Presidência pelo PT, o ex-prefeito de São Paulo fez um discurso ressaltando os avanços sociais do governo do ex-presidente Lula e criticou o que chamou de “elites” do País.

Em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba, Haddad disse que “sente a dor de todos aqueles que saberão hoje que não poderão votar no Lula”.

O novo candidato do PT enumerou programas sociais do governo Lula e condenou a postura dos adversários. “Quais pecados cometemos? Será que foi sentar ao lado de um negro no avião ou na universidade? Incomodou que uma pessoa sem diploma, conseguiu fazer o que nunca fizeram em 500 anos, foi isso?”, afirmou.

Em outro momento mais duro, Haddad disse que tudo que “a elite fez desde a reeleição de Dilma Rousseff foi desestabilizar o País”. A ex-presidente estava presente no ato, ao lado da candidata a vice-presidente, Manuela D’Ávila (PCdoB), da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, da esposa de Haddad, Ana Estela Haddad, do senador Lindbergh Farias (RJ), do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, e da ex-presidente Dilma Rousseff.

No pronunciamento, o ex-prefeito de São Paulo frisou que a campanha petista vai fazer “o povo rememorar os bons dias que viveu”. “Nós temos um líder chamado Lula que nos inspira. Não vamos aceitar o Brasil do século 20, desigual”, disse.

Haddad também conclamou a militância para ir às ruas até 7 de outubro e para “celebrar a democracia no dia 28 de outubro”. “É hora de sair de casa com cabeça erguida e ganhar esta eleição por Lula e pelo Brasil”, afirmou. Haddad encerrou o pronunciamento em frente à PF em Curitiba aos gritos de “Lula Livre”. Gleisi puxou, posteriormente, o coro “Boa noite, presidente Lula” e “Lula livre”.

Prazo rejeitado – O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou ontem pedido da defesa do ex-presidente Lula para ampliar o prazo para que se realizasse a troca do nome da cabeça de chapa da coligação liderada pelo PT, após a candidatura do petista ter sido barrada com base na Lei da Ficha Limpa pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pouco após as 18 horas, depois da decisão de Celso de Mello, a defesa de Lula informou ao STF a substituição da candidatura e diz que o recurso perdeu o objeto. “O ex-presidente é arrancado da disputa eleitoral sem que haja, o que é lamentável, qualquer decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, apesar de o recurso extraordinário ter sido admitido pela ministra Rosa Weber, presidente do TSE, com o reconhecimento da existência de relevantes questões constitucionais”, afirmou a defesa de Lula. “A democracia brasileira restará para sempre com esta dúvida”, completou.

O PT informou ter feito a troca dos candidatos da chapa às 18 horas no TSE. Essa nova composição da coligação terá de ser submetida à aprovação da Corte eleitoral.
Mais cedo, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, enviou parecer em que dizia ser “desnecessário” e “inútil” dar mais prazo essa substituição.

Na mesma ação, os advogados de Lula também queriam que o STF desse uma liminar para suspender os efeitos da decisão do TSE que barrou o registro de candidatura do ex-presidente até que o Supremo avaliasse matérias constitucionais questionadas e também o fato de a corte eleitoral não ter levado em conta recomendação do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) a favor da manutenção de todos os direitos políticos o petista.

A defesa do ex-presidente queria estender até 17 de setembro, prazo para a substituição de candidaturas, ocasião em que, alega, o plenário do STF teria tempo para apreciar todas as demandas apresentadas pelo petista. A terça-feira da próxima semana é o prazo final para que a Justiça Eleitoral aprecie todos os registros de candidatura contestados. (AE/Reuters)