São Paulo – A Fertilizantes Heringer propôs, em seu plano de recuperação judicial, pagar 20% das dívidas junto à maioria de seus credores e levantar no mínimo R$ 375 milhões com a venda de sete unidades misturadoras no País.

Uma das mais tradicionais do setor no Brasil, a empresa teve seu pedido de recuperação judicial protocolado e aceito em fevereiro. No total, cerca de R$ 2 bilhões em créditos a credores foram arrolados no processo.

Apresentado na véspera, o plano de recuperação da companhia, que ainda precisará ser votado em assembleia, oferece pagamento de 20% de R$ 1,7 bilhão em dívidas com os credores quirografários, com carência de dois anos para início dos desembolsos. A classe é a que possui mais valores a receber.

Os mesmos termos foram propostos para os credores quirografários MPE, compostos por micro e pequenas e empresas e com dívidas de R$ 10,5 milhões.

Já credores com garantia real tendem a receber 60% do valor das dívidas (R$ 271,4 milhões), também com carência de dois anos, enquanto a classe trabalhista, 100% do crédito (R$ 29,1 milhões) e pagamento em parcela única no 5º dia útil do 12º mês após a eventual homologação do plano.

Em paralelo, a Fertilizantes Heringer propôs a alienação de sete unidades produtivas, localizadas em Uberaba, no Triângulo Mineiro, Rosário do Catete (SE), Três Corações, no Sul de Minas, Dourados (MS), Rio Verde (GO), Porto Alegre (RS) e Rio Grande (RS).

Pelos valores mínimos propostos, a empresa pretende levantar R$ 375 milhões com essas vendas.

“O presente plano tem por objetivo reestruturar a Heringer, para que a mesma supere sua momentânea dificuldade econômico-financeira, dando continuidade aos negócios, mantendo-se como importante empresa do estado de São Paulo e do Brasil”, afirma o documento submetido na véspera à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A Reuters revelou ainda em janeiro que a empresa trabalhava em uma reestruturação para lidar com dívidas elevadas.

Após entrar em recuperação judicial, a Fertilizantes Heringer, fundada na década de 1960 em Manhuaçu, na Zona da Mata, hibernou algumas unidades e passou a operar com capacidade de 2,9 milhões de toneladas ao ano, de um total instalado de 6,2 milhões.

Pelos dados apresentados no plano de recuperação, a Fertilizantes Heringer registrou receita líquida em 2018 de R$ 3,68 bilhões, queda de 23%, ante 2017, enquanto o lucro bruto recuou quase 60%, a R$ 185,9 milhões.

Entre as razões para o atual momento de dificuldades, a Fertilizantes Heringer citou a “estagnação da economia brasileira”, “incertezas políticas”, “concorrência das multinacionais”, “greve dos caminhoneiros e aumento do custo do frete”, “aumento do preço dos insumos e fretes”, “perda de margem com vendas antecipadas”, entre outros. (Reuters)