Para Raquel Hallak, trazer eventos de cinema divulga Minas - Foto: Leonardo Lara/Divulgacao

Minas Gerais serve periodicamente como cenário para produções audiovisuais. Filmes campeões de bilheteria e de repercussão, como Chico Xavier – o filme (Daniel Filho, 2010) e Xica da Silva (Carlos Diegues, 1976), e produções para TV como a atual novela da Rede Globo “Espelho da Vida” e a telessérie exibida pelo Canal Brasil “Poltrona 27”, aproveitaram cidades históricas e paisagens naturais para contar suas histórias.

E, assim, municípios mineiros têm ganhado visibilidade. Tiradentes, no Campo das Vertentes, é, talvez, uma das cidades mais procuradas por produtores e diretores. Títulos famosos como o filme “O Menino Maluquinho” (Helvécio Ratton, 1995) e a novela “Coração de Estudante” (Rede Globo, 2002) não são pioneiros. Em 1967, a cidade abrigou a produção do longa de Paulo Gil Soares, “Proezas de Santanás na Vila de Leva-e-Traz”, e, em 1971, foi a vez de “Rua Descalça” (J.B.Tanko).

De acordo com o Secretário Municipal de Turismo, Cultura, Esporte e Lazer, Henrique Rohrmann, as produções têm procurado pela cidade espontaneamente. Agora, Tiradentes empresta o charme do seu casario preservado para a novela “Espelho da Vida”. “Toda divulgação da cidade é muito importante. Tentamos facilitar a vida dos produtores, mas isso ainda não é uma política pública. Estamos estudando essa possibilidade. A Globo volta em outubro para fazer novas imagens e temos outras produções que já entraram em contato e estão se preparando para vir para a cidade”, informa Rohrmann.

Mariana, na região Central, também empresta seu patrimônio tricentenário à produção global das 18h. Para o secretário Municipal de Cultura de Mariana, Efraim Rocha, essa é uma mídia muito positiva, especialmente em um momento em que Mariana continua marcada pelo maior desastre ambiental da história do Brasil, causado pelo rompimento da Barragem de Fundão, de responsabilidade da mineradora Samarco, em 2015.

“Produções como essa mostram não apenas nossas paisagens, como também os valores, o modo de viver dos marianenses. Ainda que na novela a cidade tenha outro nome, em toda comunicação é informado que as gravações são aqui. Isso é muito importante. Sempre que o município é procurado, nos interessamos e disponibilizamos recursos. Muita coisa é envolvida, há uma dedicação de pessoas, tem que fechar rua, modificar pinturas, tirar placas.

A prefeitura é sempre parceira. Existem perspectivas para intensificar essa relação com os produtores de audiovisual. Estamos aguardando autorização para uma TV municipal. Isso vai fortalecer nossas imagens, inclusive, diante dos próprios marianenses” avalia Rocha.

Atrair para BH – Não é à toa que a Capital também está desenvolvendo uma política para atrair produções cinematográficas. O primeiro passo será a criação da BH Film Commission. Belo Horizonte já foi cenário para filmes como “Uma Onda no Ar” (Helvécio Ratton, 2002) e “Sonho e Desejos” (Marcelo Santiago, 2007). Segundo a coordenadora do Museu da Imagem e do Som (MIS), Siomara Faria, os estudos que estão abrigados no MIS são um projeto da Secretaria Municipal de Cultura.

“Até o momento, temos um decreto publicado que regulamenta e autoriza as filmagens e gravações e cria a Film Commission. Estamos estruturando a contratação de uma consultoria para a formatação da comissão. Já temos os recursos para esse fim. Também estamos nos articulando junto a outros órgãos da prefeitura, como a Belotur (Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte). O objetivo é fazer um trabalho potente, capaz de captar produções e desburocratizar a vida delas aqui. Vamos também mapear locações possíveis e profissionais, formando uma base de dados de prestadores de serviços para facilitar o trabalho de pré-produção”, destaca Siomara Faria.

Para a coordenadora das mostras de cinema CineBH, CineOP e Mostra de Cinema de Tiradentes, Raquel Hallak, a realização de eventos que tragam convidados internacionais interessados em levar as obras nacionais para outros países é fundamental na perspectiva de usar o cinema para a divulgação e a promoção das paisagens brasileiras e mineiras.

Outros países – A edição de 2018 da Mostra CineBH, realizada também em agosto, trouxe o Brasil CineMundi – 9th International Coproduction Meeting. Dezenas de profissionais do audiovisual vieram ao Brasil exclusivamente para participar do evento, associarem-se a futuros projetos de cinema brasileiro em longa-metragem, e para conhecer parte da produção mineira. Foram 23 convidados da indústria audiovisual de 12 países: Cuba, Espanha, Chile, Argentina, Noruega, Suíça, França, Estados Unidos, Uruguai, Alemanha, Itália, além do Brasil.

“Trazer esses profissionais aqui é uma oportunidade de apresentar a eles nossas paisagens, nossos profissionais, vender o Estado para futuras produções. Apresentamos a coprodução como uma oportunidade de receber um investimento direto de produtores e investidores estrangeiros e aumentar a possibilidade de exibição das obras fora do Brasil”, pontua Raquel Hallak. (DM)