A governança corporativa é um conjunto de processos, costumes, políticas, leis, regulamentos e instituições que regulam a maneira como uma empresa é dirigida, administrada ou controlada.

Para uma empresa nascente, muitas vezes é muito difícil conseguir tempo e ter, até mesmo, maturidade, para pensar nisso. De outro lado, é imprescindível que elas se organizem desde o início com vistas à sua perenidade.

Diante desse quadro e pensando especialmente nas startups e scale-ups, empresas que na maioria das vezes são criadas por pessoas muito jovens, sem experiência corporativa e, sequer, de vida, que o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) lançou o guia “Governança Corporativa para Startups e Scale-ups”.

Segundo o consultor nas áreas de Estratégia, Inovação e Crescimento do IBGC e coordenador da publicação, Max Carlomagno, a obra tem como objetivo mostrar para esses jovens ou recentes empreendedores que a governança é um caminho que tem práticas próprias em cada fase do empreendimento.

“Percebemos que as pessoas fazem muitas coisas sem saber que essas atitudes são governança. Quando dividem as tarefas, pontuam responsabilidades, ou seja, começam a dizer como a coisa vai ser dirigida, isso já é governança. O guia se estrutura em dois grandes eixos. O primeiro que diz respeito a que fase de desenvolvimento a startup está e o outro são os pilares da governança corporativa”, explica Carlomagno.

O primeiro eixo se divide nas fases de ideação, validação, tração e escala. O guia sugere as prioridades e os passos a serem dados no campo da governança corporativa em cada um. O objetivo é estimular a adoção das melhores práticas desde a criação da empresa, até o momento em que ela ganha escala e deixa de ser uma startup, tornando-se uma scale-up.

No segundo eixo, os pilares: estratégia & sociedade, pessoas & recursos, tecnologia & propriedade intelectual e processos & accountability (prestação de contas).

“O segredo é dosar o remédio de acordo com o caso. Em cada fase existem prioridades. Não adianta criar um comitê de riscos para quem está ainda na fase de ideação, por exemplo. O guia compartilha práticas que já foram testadas. Entrevistamos empreendedores dentro e fora do Brasil atrás das melhores experiências”, pontua o coordenador do guia.

Na fase de ideação está presente a temática da estratégia porque a empresa está sendo estruturada. É hora de definir a contribuição e dedicação de cada um, as participações, como seria uma eventual descontinuidade, processos de decisão.

“É quando se define o ‘como vai ser’. Sugerimos o acordo de sócios, antes do contrato social. Ele tem a função de discutir e deliberar sobre o sistema. É um instrumento pra ser consultado quando há um desalinhamento”.

Na fase de validação, as quatro dimensões estão presentes. É importante começar a pensar nas pessoas porque a empresa começa a ter equipe, investidores e receitas e despesas que precisam ser controladas.

A tração pode ser o momento de pensar em um conselho consultivo. Nessa fase, podem surgir sócios que não estão dentro da operação. Os processos se sofisticam e a empresa começa a ter mais receitas e despesas e necessidade de maior controle e planejamento mais elaborados.

Na escala há uma sofisticação de controles com órgãos de fiscalização. “Aqui a empresa precisa ter práticas de controle e de fortalecimento da cultura da empresa, e um código de conduta pode ser implantado. É o momento da sistematização dos processos de negócios de médio e longo prazo”.

“Sempre é tempo de uma empresa atuar no sentido da governança corporativa. Esse é um guia para startups e scale-ups, mas o IBGC tem publicações voltadas para diversos setores. No caso das startups o processo é mais fácil porque elas estão começando”, afirma o consultor.

A versão on-line da publicação é gratuita e está disponível no Portal do Conhecimento, plataforma desenvolvida pelo IBGC, no link https://conhecimento.ibgc.org.br/Paginas/Publicacao.aspx?PubId=24050.