Crédito Paulo Whitaker/ Reuters

São Paulo – Uma recuperação mais robusta de ações de primeira linha conduziu o Índice Bovespa a uma alta de 0,99% na sexta-feira (14), aos 75.429,09 pontos. A valorização ocorreu em meio ao noticiário eleitoral mais ameno, apesar da expectativa por novas pesquisas de intenção de voto. No acumulado da semana, no entanto, o índice contabilizou perda de 1,29%, reflexo principalmente das incertezas quanto à formação do segundo turno da eleição presidencial.

Operadores afirmaram que a proximidade do vencimento do mercado de opções sobre ações, na segunda-feira (17), exerceu importante influência para o resultado do Ibovespa na sexta-feira. Petrobras PN (+0,43%), Vale ON (+2,64%) e Itaú Unibanco PN (+1,76%), principais papéis negociados no exercício, foram também os mais negociados na sexta-feira e os que mais contribuíram para impulsionar o índice.

As bolsas de Nova York tiveram um pregão de instabilidade, influenciadas, entre outros fatores, pelos relatos de que o presidente Donald Trump irá prosseguir com as tarifas sobre US$ 200 bilhões em produtos chineses. Foi nesse ambiente que o Ibovespa registrou mínimas, na parte da tarde, até os 74.444,78 pontos (-0,32%). O rompimento do suporte dos 75 mil pontos gerou uma recuperação gradativa, iniciada pelos papéis da Vale, e houve um posterior descolamento de Nova York.

A recuperação das ações, no entanto, não escondeu a cautela do investidor ante o cenário eleitoral indefinido. “O cenário eleitoral está cada vez mais complexo, com Jair Bolsonaro em uma zona de indefinição muito grande, sem capacidade de gerir sua campanha, e em meio a diversos ruídos em relação ao futuro de sua campanha”, disse Shin Lai, estrategista da Upside Investor.

Leia também:

Alta do dólar já era esperada, diz Oliveira

Dólar – O dólar teve um dia de trégua na sexta-feira, após encostar em R$ 4,20 na quinta-feira (13) e chegar a maior cotação nominal do Plano Real. Depois de uma manhã volátil, a moeda engatou queda na parte da tarde e terminou o dia em R$ 4,1649, baixa de 0,83%. Mesmo assim, o dólar à vista teve a segunda semana consecutiva de alta, acumulando valorização de 1,96% nos últimos cinco dias e de 2,47% no mês. Nas mesas de câmbio de bancos, gestoras e corretoras, o cenário para as eleições seguiu dominando as atenções.

Mesmo após a alta de quinta, no começo do dia, o dólar encontrou fôlego para subir um pouco mais e chegar a R$ 4,21 na abertura. Mas o movimento perdeu força e o real acabou se descolando de outras moedas de emergentes, que perderam valor ante a moeda dos Estados Unidos.

Apesar da queda, especialistas alertam que a volatilidade vai continuar alta no mercado, que deve oscilar com o noticiário sobre as eleições e novas pesquisas eleitorais. “A temática eleitoral tem predominado de forma contundente no mercado”, afirma o economista-Chefe da DMI Group, Daniel Xavier. O tema eleitoral tem preocupado também lá fora. A gestora inglesa Ashmore Investment ressalta em relatório que há preocupações sobre como vai ficar a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) após a facada de que foi vítima. Já o banco de investimento norte-americano Brown Brothers Harriman & Co. (BBH) destaca que Luiz Inácio Lula da Silva tenta transferir votos para Fernando Haddad, que assumiu a cabeça de chapa do PT no lugar do ex-presidente.

O diretor da corretora Correparti, Jefferson Rugik, acredita que, até que as eleições estejam definidas, o câmbio deve continuar volátil. “Sobe em um dia, cai no outro. É assim que a gente vai ver o mercado até o fim das eleições”, avaliou.

Taxas de juros – Os juros futuros fecharam a sessão regular em queda, na sexta-feira, após baterem mínimas na última hora em sintonia com o maior alívio do câmbio. As taxas dos contratos de longo prazo tiveram recuo mais firme, enquanto as curtas ficaram mais perto dos ajustes, com viés de baixa, o que reduziu o nível de inclinação da curva a termo.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 fechou na mínima de 6,870%, de 6,871% de quinta-feira no ajuste, e a do DI para janeiro de 2020 caiu de 8,667% para 8,64%. A taxa do DI para janeiro de 2021 encerrou em 9,92%, de 10,006% de quinta-feira no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2023 recuou de 11,745% para 11,62% e a do DI para janeiro de 2025, de 12,504% para 12,38%. (AE)